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Da vida de Pi

Da vida de Pi... nilla. Uma espécie de director's cut, vá. Vivo de ler e escrever. De ler escritas, de escrever leituras, de debater termos e criar frases. Aqui escrevo da vidinha. Vidinha de Pi, é isso.

Da vida de Pi... nilla. Uma espécie de director's cut, vá. Vivo de ler e escrever. De ler escritas, de escrever leituras, de debater termos e criar frases. Aqui escrevo da vidinha. Vidinha de Pi, é isso.

Da vida de Pi

12
Fev17

Não tens de estar em todas (as redes sociais)

Pi

O Donald Trump tem posto o Twitter na ordem do dia, o que é dupla maçada. Por um lado pode encher o Twitter de rednecks, por outro dá má fama à minha rede social de eleição.

Mas não é Trump o único. É o que tem mais destaque naturalmente, mas no recreio que é o Twitter aparece de vez em quando uma alminha a achar que nos vai pôr a todos no lugar. Porquê, pergunto. O que leva alguém a criar uma conta para "eu vou lá dizer como é"? Mas como é o quê? Que ideia preconcebida terão para acharem que precisamos que nos iluminem o caminho? Caras pessoas que só ouviram ou leram os Henriques Raposo da vida falar do Twitter: criem uma conta, deixem a coisa correr e percebam se gostam ou não. Evitem rotular sem conhecer.

Sim, há discussões. Sim, há insultos. Sim, há unfollows, mutes e blocks. Há nudez a circular e há as melhores piores piadas quando há uma tragédia. E não precisa de ser uma tragédia, uma das melhores meias horas que passei no Twitter foi aquando da eleição do Papa Francisco. Foram trinta minutos de previsões e palpites hilariantes, em que não consegui parar de rir. Estão no direito de não gostar, não estão no direito de dizer que não podemos fazer qualquer destas coisas. Não maçarás o próximo devia ser mandamento.

A graça do Twitter é cada um poder dizer e fazer o que quiser, interagir ou não se assim o entender, não está excluído o sermão aos outros. É um bocadinho não perceber a coisa, mas hey, cada um segue ou bloqueia quem quer. 

Se vão ao Twitter exclusivamente  para corrigir quem lá está, ou tentar pôr pontos nos is que entendem que devem ser postos, estão à vontade. Mas estão também por vossa conta e risco, ninguém gosta de um bully sabichão.

05
Fev17

Os meus sonhos estão a este nível

Pi

Eu sonho sempre, e quase sempre sonho muito. Palavra de honra, se eu conseguisse escrever tudo o que sonho e à velocidade com que sonho, tinha um blog com posts infinitos. E um esgotamento. Mas adiante.

Hoje, um dos momentos teve particular requinte de detalhe. Ia como uma amiga a caminho do zoo, a pensar "mas se as crianças hoje não vêm, que vamos lá fazer?". Havia camiões na estrada, mas para evitar ver o cemitério dos cães (quem não tem este trauma de infância?), passámos juntos dos mesmos. Fomos para a zona de street food (eu sei, inventei), onde havia uma pequena roulote Pop Cereal Café. Eu queria lá ir, mas já era hora de almoço, por isso fomos a outra, de hambúrgueres. A minha amiga pediu "a de tornedó", e eu babei de pensar. Mas olhava para a carta e não via essa opção. Tinha mudado de nome, agora já não se chamava assim, mas era a mesma coisa. 

E acordei. 

Estamos portanto ao nível tornedó, no que toca a sonhos. 

15
Jan17

Garfield, Deus, e o Japão

Pi

Num ano, Andrew Garfield fez dois filmes passados no Japão, nos quais Deus é seu guia e companhia: "Silêncio", de Martin Scorsese, e "Hacksaw Ridge", de Mel Gibson.

Vi ambos esta semana, e é engraçado como há mesmo um ponto em que quase se tocam, mesmo sendo passados em épocas tão diferentes e personagens tão díspares.

Dê qual gostei mais? Bom, um é Scorsese e a minha religião é contra não gostar de um filme dele. "Hacksaw Ridge" é um filme de guerra (gosto muito), e tem o Sam Worthington. Não é fácil decidir. Na dúvida, vejam os dois. Foi o que fiz. 

14
Jan17

Dos Globos, aos bocadinhos

Pi

Eu sei, ela divertiu-se muito, antes muerta que sencilla, e essas coisas todas. Já lá vamos. 

Sofia Vergara é sempre espectacular, e admito que vê-la geralmente basta, é bem provável que nem sempre seja ouvida. Eu preferia não a ter ouvido nos Globos, se calhar já chega da piada da latina-não-sabe-falar-e-já-agora-metemos-aqui-um-trocadilho-ordinário. A Sofia e a sua espectacularidade merecem um bocadinho mais.

Para quem não viu, a espectacular Sofia apareceu no seu espectacular vestido de rendas, brilhos e transparências, com o seu não menos espectacular busto, toda ela maravilhosa. E espectacular. A deixa que lhe estava destinada envolvia todo um malabarismo com a palavra anual e os enganos de uma pessoa chegada de um buraco na Colômbia há três minutos. Somos capazes de um bocadinho mais que isto. 

Bem sei, quem a viu, pouco ou nada ouviu, a própria já disse que prefere ser ridícula do que aborrecida, mas fica a nota. Merece decididamente mais e melhor. 

11
Jan17

Correndo o risco

Pi

De soar a septuagenário, a viver circa 1957, há uma coisa que me maça no Galaxy S7.

Gosto muito dele, não tenhamos ilusões. Tenho espaço para tudo e um par de botas, apps a perder de vista, todas as minhas redes sociais, uma imagem bestial, vídeos em slow motion, fotos panorâmicas, tudo impecável. 

Mas - e palavrinhadonra, eu não costumo ser adversa à evolução - por que carga de água - até nos termos me sinto recuarr no tempo, senhores - não tem rádio? 

Ando bastante de transportes e a pé, e costumo ouvir rádio no telefone - quando o tem, claro está. Encontro alternativas, naturalmente, há apps de rádio e podcasts, mas um rádio no telefone é que eu queria mesmo.

Já li que tem possibilidade de ter, mais não sei quê, mas que há Europa ainda não dá e assim. Não sei, alguém sabe e ajuda uma pessoa presa em 1957?

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10
Jan17

A L e o Pai Natal

Pi

Está fora de época, bem sei, mas nunca é tarde para guardar memórias.

Por altura do Natal (já depois), fui com a minha amiga T e os dois filhos a Cascais, ver a aldeia do Natal. Andámos pelo parque, demos a volta à aldeia, vimos nazarenos e romanos, renas, um trenó e um carrossel. O tempo estava bom e o espaço era engraçado. 

IMG_20161229_201955_710.jpgO D não quis ir à casa do Pai Natal, mas a L sim. Foi com a mãe, e nós esperámo-las cá fora. 

Enquanto esperávamos, saíram umas  três crianças, da mesma idade e pouco mais velhas que a L (4 anos), e a sentença era unânime:

- Era mesmo o Pai Natal!

- Era mesmo o verdadeiro!

- Era ele, até tinha uma coroa! 

Esperei pela opinião da L que, à saída, não tinha dúvidas: "Olha, era mesmo o Pai Natal a sério. Era mesmo ele!"

Tenho para mim que aquela coroa foi um adereço muito bem pensado. Em terra de Pai Natal de shopping, quem tem coroa é rei (ou o verdadeiro). A coroa era imponente, diga-se. Até eu, quando vi a fotografia da L ao lado do senhor, de barba e cabelo imaculados, impecavelmente vestido, e coroa reluzente na cabeça, pensei "é bem capaz de ser ele é..." 

 

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09
Jan17

Eu queria falar dos Globos de Ouro, mas o rito tem de ser salvo

Pi

Queria falar nos Globos de Ouro, mas atrasei-me, e ainda não vi tudo. Eu atrasei-me, e entretanto passam-se outras coisas à nossa volta. O mundo não pára, é verdade, e com ele não param paixões inflamadas, ódios estapafúrdios, e disparates galopantes. Por enquanto parece acontecer mais atrás de teclados, mas nunca se sabe. 

Houve um tempo - às vezes sinto-me muito antiga, se calhar sou - em que a morte impunha respeito. Continuo a ter-lhe bastante. Não sou de quaresmas e sextas feiras Santas em silêncio, não sou de retiros ou meditações. Mas a morte é uma coisa que me põe em sentido. Alinho nos rituais assumidos em sociedade, como o minuto de silêncio. Todos os silêncios. Perante a morte, silêncio e respeito. Aparentemente não é assim para toda a gente. O silêncio depois da morte também tem de se merecer. Isto não faz sentido para mim, mas enfim, cada um fará como entender. 

Atrás de um teclado também vale desejar e celebrar a morte. Era outra coisa que eu não sabia, até há uns anos. Talvez seja o preço a pagar por estar em contacto com muito mais opiniões, maneiras de ser, valores e formas de expressão. Não sei. Sei que, e pode parecer tetrico, mas o minuto de silêncio era um momento em conjunto,  de que eu gostava. Aquele momento em que milhares de pessoas, de pé, em silêncio, respeitavam não necessariamente quem tinha morrido, mas a morte.

Mas pior, pior que um minuto de silêncio de assobios e apupos, que concedo poderem ter motivos - com reservas, mas não tenho nada a ver com isso, lá está, cada um faz o que quer - foram três palermas, adultos, tão antigos quanto eu, a tirar fotos para mostrar que tinham ido ao estádio, durante o minuto de silêncio. O rito não é nada, de facto.

Tinha sido muito mais animado um post sobre os Globos eu sei. Talvez amanhã. 

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08
Jan17

Ainda estou trémula (não estou, mas podia)

Pi

Mamãe diz hoje, pela hora de almoço:

- Então o Djalson era para voltar agora, olha o que lhe aconteceu...

E mostra-me a fotografia de um pé partido. Claro que eu não ouvi "Djalson", mas Gelson, e dei um grito. 

Depois ri-me, por achar que a minha mãe teria o boletim clínico do Gelson, mas na altura até suei frio.

Precisamos todos de ter mais calma na vidinha em geral, é um facto. As melhoras as Djalson, que um pé partido nunca pode ser bom, e ele vive de dançar. 

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06
Jan17

Dia de reis, sem saber ler

Pi

Esta manhã, no centro de saúde, uma senhora veio pedir-me que lhe lesse três cartas (nada de muito romântico, EDP, SMAS e Egas Moniz) por não saber ler. Li, naturalmente, mas não pude deixar de pensar no que é um mundo sem saber ler. Eu sei que se sobrevive, sei que as pessoas se desembaraçam como tiver de ser - "às vezes peço aos meus vizinhos", disse-me - mas até o pormenor de incerteza - "esta  deve ser do hospital", apontando para o logo verde no envelope - me fez pensar como será viver sem uma pista do que diz seja onde for. Quem nunca soube, possivelmente não sentirá um abismo, mas é essa a imagem que me vem à cabeça. Um vazio enorme de informação. Mas são pessoas ricas de outras coisas, dir-me-ão. E eu digo, para já, que isso é um piroseira, e depois, não é só não ler jornais ou livros, é mesmo um logo não nos parecer certo. Também já soube de casos de uma pessoa que até às compras vai e nunca se engana, e aproveita promoções. Não se fica um atado sem saber ler, eu sei. Eu saber é que estraga isto tudo. 

Tinha reparado no casal antes, ouvi a senhora perguntar "já chamaram o nosso?", o marido responder primeiro um pouco brusco "não", como quem diz "ainda aqui estamos", mas depois percebeu e respondeu "para o nosso não". 

Quando a mulher me abordou, ele manteve-se no lugar, calado, olhar em frente. Pode não saber ler, mas não baixa os olhos perante a sua fraqueza ou o desembaraço da mulher. 

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