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Da vida de Pi

Da vida de Pi... nilla. Uma espécie de director's cut, vá. Vivo de ler e escrever. De ler escritas, de escrever leituras, de debater termos e criar frases. Aqui escrevo da vidinha. Vidinha de Pi, é isso.

Da vida de Pi... nilla. Uma espécie de director's cut, vá. Vivo de ler e escrever. De ler escritas, de escrever leituras, de debater termos e criar frases. Aqui escrevo da vidinha. Vidinha de Pi, é isso.

Da vida de Pi

13
Nov17

A Rússia é o molar que perdi (phantom limb)

Pi

A qualificação estava por um fio. Eu com um dente por tirar. 

Marquei consulta, mentalizada para ficar sem ele. O dente. 

"Vem preparada para fazer a extracção hoje?" Venho pois, como estou preparada para Chiellini ceifar um ou dois vikings se preciso for. 

"Sim sim." Não estou é preparada para o Buffon não ir ao último Mundial. 

"Já percebi que sim, não quer ficar com ele assim." Pois, estou aqui mais preocupada com o Ventura não meter o Insigne hoje. 

O meu dente saiu, já não maça, está resolvido. O resto estava em Milão, não dependia de mim ou de um alicate. O Ventura não meteu mesmo o Insigne, o Jorginho teve muita vontade mas não chegou, e o Bonnuci arrancar a máscara só deu mesmo boas imagens. 

Nunca vi um mundial sem a Itália. Pelo menos desde o de 90 que sigo a Azzurra em cada fase final, e desta vez não vai haver fratelli d'italia. 

Tenham um bom mundial, sem as melhores fotos do costume, sem o cinismo que gostam tanto de desdenhar, sem o De Rossi, sem o Immobile, sem o Buffon. SEM O INSIGNE! 

Estou desolada. O meu molar é como a ida da Itália ao mundial: estava aqui, já não está. 

Neste momento, dói-me mais a Rússia que a boca.

04
Nov17

The Walking Dead. Decidi-me

Pi

Verdade verdadinha, foi pelo Negan que me decidi a ver The Walking Dead. Mas para chegar à temporada dele, teria de passar por todas as anteriores, isso não era negociável (ainda que fosse um negócio só meu, de mim para mim).

Fiz um intervalo no entusiasmo com séries novas, e essa costuma ser a melhor fase para pegar nestas que deixei passar. Como não fixei spoilers que possa ter visto em tempos, avancei.

É o que esperava, percebo que a aventura, o saber o que acontece a seguir seja o principal isco. Mas tive esperança que me surpreendesse mais - ainda vou na terceira temporada -, admito. O lado da condição humana, a ser explorado, tem muito potencial, podia ser quase Saramago e a pouca-quase-nenhuma fé na espécie humana. Não sei que me espera, pelas reacções que vou vendo pouco mais, mas vou continuar.

Gosto de finalmente conhecer nomes que tinha lido ou ouvido, associar-lhes cara e persona. Até tenho medo de referir nomes e aparecerem-me spoilers por todo o lado. Farei um esforço por agora. 

Não é desafiante, não é uma série que me deixe a pensar que há mais para saber, que me faça ir saber tudo, ouvir podcasts e ler reviews a correr. Percebo que prenda, mas não é pelo intelecto decididamente. 

Também é possível e quase irresístivel fazer o paralelismo com o mundo como o vemos actualmente. Não sei, para mim tem sido. Nada muito exaustivo ou fundamentado. Mas tudo o que é decadente cheira a fim de mundo. Em Walking Dead só é mais simples resolver o problema dos zombies.

Mas fica na cabeça. Um dia destes no supermercado, as pessoas moviam-se tão devagar que tive a sensação de ver walkers a avaliar um alho francês, ou a escolher iogurtes. 

Negan. Lá chegarei.  

 

29
Out17

Vent'anni di Azzurro

Pi

Isto é só uma dobradela de cantinho, que a data merece. 

Se há vinte anos houvesse twitter, eu faria hoje um tweet assim: “Lucaaaaa, nãããoooo! Humpf, cala-te Gianluigi Buffon”. O Luca seria o Pagliuca, e em 97 eu estava habituada a ele. Como estivera a Zenga, como não estive muito a Peruzzi ou Toldo, ou vá, menos tempo. Mas não me lembro de mais nenhum por tanto tempo. 

Buffon impôs-se-me. Se há vinte anos o via como o rookie - com o ligeiro desprezo que isso me merecia -, hoje dói pensar que está prestes a despedir-se. Porque não vi tantas vezes outro guarda-redes com a Itália. Porque não me lembro de Zoff, e só com Buffon celebrei um mundial. Porque não me lembro de outro que gritasse o hino de olhos fechados, ou falasse da Azzurra sempre com a mesma emoção e entrega. Que tenha metido um pé numa porta de vidro durante o Mundial, por ter perdido no ping pong. Que dissesse que foi estes vinte anos foram o melhor presente que alguma vez recebeu.

Tem um defeitozinho (a meu ver), que não condiz com o resto: virar-se de costas quando a sua equipa marca penalties. É discutível, concedo, mas não adoro. Por outro lado, tem um potencial latino e dramático enorme, e por aí talvez me convencesse. Mas não adoro não (adorando-o, sempre). 

Que está menos rápido, que está mais pesado e velho. Seja, já ninguém lhe (e me) tira ter sido o maior nestes últimos anos.  E sim, assumidamente dos mais giros e com maior pinta. 

 

 

173 jogos

68 clean sheets

1 Mundial

Buffon faz hoje vinte anos de selecção. E cá estamos. Contando com muita força, e alguma violência, ir à Rússia. 

“20 anni d’azzurro il regalo più bello della mia vita”

Gianluigi Buffon

 
27
Out17

Os fogos. Mais ou menos de dentro.

Pi

De manhã, eram oito e meia, hora da depilação (demasiado cedo para tal tortura, bem sei). Ocorre-me perguntar, porque nunca sei bem onde é: 

- Tem alguém nas zonas dos incêndios?

Eu achei que sim, mas não tinha a noção de quão próxima a S estava da situação. 

- A minha aldeia é lá. Ardeu tudo até à porta das casas. 

Puxão atrás de puxão, foi contando. 

Perdeu o contacto com a família depois de um "Olha olha, chegou à casa dos pais!". A chamada caiu ainda no domingo, e só voltou a ter notícias segunda feira. Por desencontros, estradas e comunicações cortadas, só segunda feira soube que a família estava bem e as casas (e só as casas, tudo se estragou, quase tudo se perdeu) salvas. 

Mal senti a cera hoje. Eu é que toquei no assunto, e perante o pragmatismo da S, sentir qualquer dor seria ridículo.

Não houve luz, água ou telecomunicações até sexta feira seguinte. O único multibanco só no fim de semana voltou a funcionar. A S, o marido e alguns voluntários conseguiram levar bens de primeira necessidade às pessoas. Três toneladas deles. 

- Quando cheguei à minha aldeia, já não tinha lágrimas para chorar. Conhecer tudo como era, verde, e ver agora tudo preto, tudo queimado...

Foram de porta em porta saber de que precisavam as pessoas. Algumas perguntaram se não tinham "umas ferramentas, para poder consertar algumas coisas".

A S contou sem pretensiosismos. Eu é que puxei o tema, sem pensar bem no que por aí vinha.

Acrescentar só o que já temos ouvido e a S reiterou: toda a vida houve ali incêndios "mas nunca nada como este ano". 

 

PS: Naturalmente não terá sido novidade para ninguém é só mais duro ouvir na primeira pessoa. Não o ouvimos vezes suficientes. Decoramos e mastigamos o que nos entra pelas notícias, sabemos de cor o que nos chega nos rescaldos. Mas ouvir assim, nunca tinha ouvido. Dói mais. 

03
Jun17

Dos italianos em finais e eu estar por eles

Pi

A Juve já joga com o Real a final da Liga dos Campeões, ou Champions para os amigos e especiais, e eu estou pela equipa italiana. Surpresa!

Sim, gosto muito do Ronaldo. Não, não tenho nada contra o Real, até aprecio (e também o Barcelona, e outros, não tenho preferências fora de Portugal). Mas estou sempre por equipas italianas, pelo menos desde 93. 

E como sei que é desde 93? Porque nesse ano fiz uma aposta com o meu amigo F: nas finais das competições europeias, eu estava pelos italianos (Milan na CL, Juve na UEFA e Parma na Taça das Taças). Perdi um dos jogos, mas venci a aposta.

Acresce que Buffon joga na Juventus, Bonnucci, Barzagli, Chiellini, Marchisio também. E eu prezo equipas que ainda preservam os seus italianos. 

Pronto, era isto. Vou ali continuar a roer as unhas. 

29
Mai17

Totti, o rei (que dor) e o momento em que me (lhe) rendi

Pi

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É possível que tenham passado vinte anos. Eu achava que nunca me iria habituar a outro príncipe que não Giannini, que ideia era agora esta, um miúdo da minha idade para lhe suceder?! Não, estavam muito enganados, podia lá ser. E estavam, de certa maneira, porque Totti não foi príncipe, foi e é rei.

Totti nunca foi discreto ou humilde na sua ascensão como rei de Roma, e isso desarmou-me. Possante, arrojado, sem pedir licença. Um latino à antiga, era irresístivel.
O momento em que me rendi definitivamente nem aconteceu na Roma, mas na meia final de 2000, num 3-1 em penalites à Holanda (há sempre drama, é maravilhoso e devastador ao mesmo tempo). Era tempo de kappa, Zoff no banco, e Toldo na baliza. Tenho na memória Frank de Boer e Stam a falhar. Maldini também, mas já não fez mal. Estávamos em Junho, e eu tinha frequência de História Medieval Geral. Deixei-me ficar num café perto da faculdade a ver os penalties. Não corria mal à Itália, quando veio Totti e, com aquele Panenka (hoje sei que avisou Maldini e Di Biagio, "Mo je faccio er cucchiaio", que gelaram ao ouvi-lo), me fez estremecer, e ao mesmo tempo rir nervosa (depois de dar golo). Na celebração, punho fechado no ar, mesmo à Totti - na altura ainda não era er pupone, de dedo na boca -, e já eu estava rendida a tanta confiança.
 
Passam vinte, vinte e cinco anos assim num instante, cada imagem que vejo me parece ser de ontem - Totti nos comandos da camara não é de ontem? Totti a cantar o Azzurro não foi há dois dias? Todas as fotos que guardei em julho de 2006, a camisa azul escuro e a bandeira na cabeça, os beijos na copa, não são tão recentes? O tempo passou, de facto, mas Totti é para sempre. 
 
Ontem estive a ver a sua despedida. Falou como um homem - parte-se-me o coração ao ouvi-lo dizer que tem de crescer, que vai estar a última vez no balneário onde entrou há 25 anos, e que agora é ele quem tem medo - como um capitão. Vi e revi discurso, fotos, abraços e despedidas. Totti e De Rossi, Totti e Florenzi. Italiani Veri. Guardei tudo o que pude, não sei se o meu arquivo não vai rebentar de vez.
 
Uma lagriminha, pois, como não? Sinto-me no direito de chorar Totti. Mesmo que seja para sempre o rei.
29
Abr17

Baleias às cores ou são loucos estes miúdos

Pi

Estive a ver que é essa coisa da Baleia Azul - palavrinhadonra que pensei que era o nome de uma nova operação da PJ -, e assim à partida arrisco dizer que há uma coisa a garantir o acesso: ser parvo. Logo aqui, a premissa já é má.

Eu sei, eu sei, também já fui adolescente, a espiral de depressão e tristeza é muito tentadora nestas idades, e a pressão do grupo pode ser devastadora, não me esqueço disso. Talvez tenha tido os meus momentos "que bonito é o horizonte e umas lágrimas ao vento", mas não aparvalhei mais que isso. Nunca me cortei, há vinte anos isso não era uma ordem, era sinal de famílias a desabar, ou problemas na escola. E eu só o vi em séries e filmes sobre adolescentes. 

Se quiserem ver as regras, saber mais sobre o jogo, está aqui. Eu não 

pretendo jogar, mas tenho dúvidas: se o objectivo ao fim de 50 dias é o suicídio, e se desistir dá direito a ameaças, como é que há jogadores seniores? São jogadores com 45 dias de jogo? Estas regras não estão bem pensadas, ou há aqui tentativa de (eles querem é) poleiro.

Entretanto vi também que foi criada a Baleia Rosa. Mais saudável, mais positiva (não tenho a certeza de isso atrair adolescentes, mas não deixa de ser de louvar, que o assunto é sério). 

12
Fev17

Não tens de estar em todas (as redes sociais)

Pi

O Donald Trump tem posto o Twitter na ordem do dia, o que é dupla maçada. Por um lado pode encher o Twitter de rednecks, por outro dá má fama à minha rede social de eleição.

Mas não é Trump o único. É o que tem mais destaque naturalmente, mas no recreio que é o Twitter aparece de vez em quando uma alminha a achar que nos vai pôr a todos no lugar. Porquê, pergunto. O que leva alguém a criar uma conta para "eu vou lá dizer como é"? Mas como é o quê? Que ideia preconcebida terão para acharem que precisamos que nos iluminem o caminho? Caras pessoas que só ouviram ou leram os Henriques Raposo da vida falar do Twitter: criem uma conta, deixem a coisa correr e percebam se gostam ou não. Evitem rotular sem conhecer.

Sim, há discussões. Sim, há insultos. Sim, há unfollows, mutes e blocks. Há nudez a circular e há as melhores piores piadas quando há uma tragédia. E não precisa de ser uma tragédia, uma das melhores meias horas que passei no Twitter foi aquando da eleição do Papa Francisco. Foram trinta minutos de previsões e palpites hilariantes, em que não consegui parar de rir. Estão no direito de não gostar, não estão no direito de dizer que não podemos fazer qualquer destas coisas. Não maçarás o próximo devia ser mandamento.

A graça do Twitter é cada um poder dizer e fazer o que quiser, interagir ou não se assim o entender, não está excluído o sermão aos outros. É um bocadinho não perceber a coisa, mas hey, cada um segue ou bloqueia quem quer. 

Se vão ao Twitter exclusivamente  para corrigir quem lá está, ou tentar pôr pontos nos is que entendem que devem ser postos, estão à vontade. Mas estão também por vossa conta e risco, ninguém gosta de um bully sabichão.

05
Fev17

Os meus sonhos estão a este nível

Pi

Eu sonho sempre, e quase sempre sonho muito. Palavra de honra, se eu conseguisse escrever tudo o que sonho e à velocidade com que sonho, tinha um blog com posts infinitos. E um esgotamento. Mas adiante.

Hoje, um dos momentos teve particular requinte de detalhe. Ia como uma amiga a caminho do zoo, a pensar "mas se as crianças hoje não vêm, que vamos lá fazer?". Havia camiões na estrada, mas para evitar ver o cemitério dos cães (quem não tem este trauma de infância?), passámos juntos dos mesmos. Fomos para a zona de street food (eu sei, inventei), onde havia uma pequena roulote Pop Cereal Café. Eu queria lá ir, mas já era hora de almoço, por isso fomos a outra, de hambúrgueres. A minha amiga pediu "a de tornedó", e eu babei de pensar. Mas olhava para a carta e não via essa opção. Tinha mudado de nome, agora já não se chamava assim, mas era a mesma coisa. 

E acordei. 

Estamos portanto ao nível tornedó, no que toca a sonhos. 

15
Jan17

Garfield, Deus, e o Japão

Pi

Num ano, Andrew Garfield fez dois filmes passados no Japão, nos quais Deus é seu guia e companhia: "Silêncio", de Martin Scorsese, e "Hacksaw Ridge", de Mel Gibson.

Vi ambos esta semana, e é engraçado como há mesmo um ponto em que quase se tocam, mesmo sendo passados em épocas tão diferentes e personagens tão díspares.

Dê qual gostei mais? Bom, um é Scorsese e a minha religião é contra não gostar de um filme dele. "Hacksaw Ridge" é um filme de guerra (gosto muito), e tem o Sam Worthington. Não é fácil decidir. Na dúvida, vejam os dois. Foi o que fiz. 

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