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Da vida de Pi

Da vida de Pi... nilla. Uma espécie de director's cut, vá. Vivo de ler e escrever. De ler escritas, de escrever leituras, de debater termos e criar frases. Aqui escrevo da vidinha. Vidinha de Pi, é isso.

Da vida de Pi... nilla. Uma espécie de director's cut, vá. Vivo de ler e escrever. De ler escritas, de escrever leituras, de debater termos e criar frases. Aqui escrevo da vidinha. Vidinha de Pi, é isso.

Da vida de Pi

12
Mar15

Pombo na varanda (complete o provérbio)

Pi

É a segunda vez em quatro anos de toca que me vai morrer um pombo ao canteiro da varanda. É quase poético, não fosse eu morrer de medo de pássaros. Não, não melhora se for um pardal ou um gavião, são todos iguais com o seu esvoaçar imprevisível, as suas patas sinistras de três galhinhos e penas aos milhões. Da outra vez lá removi o corpo depois de umas duas horas de angústia, até que começou a escurecer e pensei "não quero dormir a saber que aquilo está ali". Tentei convencer-me que era uma parvoíce, o bicho até já estava morto, querer é poder e, calhava bem, eu queria-o dali para fora, ia correr tudo bem e talvez até me passasse o medo e o nojo. Correu bem, é um facto. Tudo o resto foi ao lado, não perdi medo nem nojo. O pânico, ao descer no elevador, de que o bicho afinal não estivesse bem morto e desatasse a esvoaçar nos sacos de lixo que meti uns dentro dos outros não fosse algum romper pelo caminho e eu ter de o voltar a apanhar com a pá do lixo, também ela lixo a partir do momento em que tocou naquele pedacinho de poluição com asas. Bom, passou e eu não saí nada melhor pessoa disso. O ano passado foi um ovo que lá ficou. Os pombos acharam o meu canteiro e a sua sombrinha boa ideia para por e chocar um ovo, eu achei melhor um canteiro perto de um jardim lá embaixo e fui lá deixá-lo. Até do ovo no caminho tive medo, senhores, e se a cria me nascesse na nova pá do lixo? Ou, lá está, no elevador onde insisto meter-me com os meus demónios? Bom, também correu bem, e também não saí mais forte desta vez. Agora novo defunto no canteiro e não me apetece nada repetir o processo. Deixei-o lá, parece que há mochos na zona e no fundo um pombo é um rato alado. Os bombeiros tratam disto? E aquela coisa do marido ir a casa? Não é de hoje que penso em ter um tigre na varanda. Vou considerar seriamente essa hipótese.

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