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Da vida de Pi

Da vida de Pi... nilla. Uma espécie de director's cut, vá. Vivo de ler e escrever. De ler escritas, de escrever leituras, de debater termos e criar frases. Aqui escrevo da vidinha. Vidinha de Pi, é isso.

Da vida de Pi... nilla. Uma espécie de director's cut, vá. Vivo de ler e escrever. De ler escritas, de escrever leituras, de debater termos e criar frases. Aqui escrevo da vidinha. Vidinha de Pi, é isso.

Da vida de Pi

08
Jan15

Ser Charlie hoje. E amanhã.

Pi

Ontem fomos todos Charlie, hoje ainda somos todos Charlie, amanhã talvez menos, depois menos e assim sucessivamente. Sem censura nem problema, somos assim e não nos vamos esquecer disto nunca, tenho essa certeza, digamos ou não que somos Charlie. 

Dizia, fomos todos Charlie, escolhemos ver ou não as imagens brutais do ataque. 

Lemos o Gustavo Santos e optámos por falar ou não sobre a tontice do Gustavo. 

Escolhemos, fomos livres de ver, criticar, gritar e espernear. E somos. Porque somos Charlie e não é de ontem. 

Ao fim do dia os censores de serviço eram muitos. Dos que não queriam ter o vídeo à frente do nariz aos que não acreditavam que houvesse quem não tivesse emitido uma palavra sobre o assunto o dia todo. Só não cheguei a ler "já chega de Charlie Hebdo", mas pode ter sido só distracção minha, é a afirmação clássica em dias dominados por um só assunto, seja qual for, nas redes sociais. 

Portanto, não gostamos do que pensam os Gustavos Santos mas queremos que toda a gente fale. E quantos mais Gustavos haverá? Muitos, não duvido. Por mim, tudo bem, todos temos direito a expressar-nos. Como a estar calados, se assim o quisermos. As pessoas cansam-me, no fundo é isso. 

E não vejo isto como Islão contra Ocidente, e mesmo a liberdade de expressão me custa que seja o estandarte para uma coisa tão triste e animalesca. Se as caricaturas foram o motivo, é estúpido. Se são uma desculpa para alimentar ódios, começar guerras, lançar a extrema direita, o que queiram, ainda é mais cretino. Isto foi uma atitude hedionda de umas bestas, sejam quem forem e quantas forem. Células de bestas, se quiserem. E massacres, entradas em edifícios para matar gente não são coisa estranha ao Ocidente, convenhamos. Portanto não me venham com o Islão inteiro que eu também não admito que me julguem por um Breivik. 

O que eu sei, o que para mim hoje está a valer, é que aqueles grandes queridos que andaram aos tiros em Paris para calar caricaturas, conseguiram que hoje as houvesse por todo o mundo nas primeiras páginas dos jornais. Maior espalhafato não era possível. Ainda bem. 

Enviado de Samsung Mobile

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