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Da vida de Pi

Da vida de Pi... nilla. Uma espécie de director's cut, vá. Vivo de ler e escrever. De ler escritas, de escrever leituras, de debater termos e criar frases. Aqui escrevo da vidinha. Vidinha de Pi, é isso.

Da vida de Pi... nilla. Uma espécie de director's cut, vá. Vivo de ler e escrever. De ler escritas, de escrever leituras, de debater termos e criar frases. Aqui escrevo da vidinha. Vidinha de Pi, é isso.

Da vida de Pi

17
Jul18

Emoji day (you should have stayed at home yesterday)

Pi

Oho it can't describe the feeling and the way you lied
These games you play, they're gonna end it all in tears someday
Oho Emoji day, it shouldn't ever have to end this way

 

Pois é, parece que entre todos os dias que se celebram, existe o do emoji e é hoje. 

Eu uso emojis, assumo já aqui. Não me exprimirei exclusivamente através deles, até porque adoro palavras e palavrinhas, não há como o desfaio de palavras e pontuação para passarmos para fora o que nos vai cá dentro, ai não há não. 

Mas adiante, uso alguns emojis, sim. Acho-lhes graça, adapto ao discurso e a quem está do outro lado. Sim, sou dessas que se adaptam, não imponho. Ou tento. Não é muito importante, o que eu vinha dizer tinha mesmo a ver com emojis. É emojis ou emoji também no plural? 

Eu acho que o erro é meu, juro, deve ser mesmo meu, que intepreto tudo à minha maneira (que remédio) e depois entro em conflito cá com as minhas próprias teorias. O emoji que consegue por vezes irritar-me (sim, que os há que nos irritam, pelo menos a mim) é o ;) ou . Pronto, já disse. Ai não sei, parece-me sempre condescendente, um "estou a falar na boa, não te irrites", ou "pronto, já expliquei". Podia ser um "if you know what I mean", quem me dera, mas quase nunca o leio assim. Ganhei alguns anti-corpos ao ;), admito, não devia ter mais que fazer nessa altura. Agora já está. Penso menos no assunto, mas hoje que é o dia deles, lembrei-me de escrever sobre isto. E depois ganha-se-lhe o vício, há quem não consiga não terminar as frases todas assim ;) Embora isso seja uma coisa inerente aos emojis, parece-me ;) Percebem? ;) 

Nada de grave, deve ser de mim ;) (pára com isso) 

 

04
Jul18

Nascido a 4 de Julho - não aprenderão nada neste post

Pi

Sim sim, esse, o filme. Ou melhor, o Tom Cruise no filme. Ou sobre como eu, aos 12 anos recebi esta notícia. 

Estávamos na ressaca do Top Gun e Rain man no que a fãs de Tom Cruise diz respeito. Ele era giro de piloto, era giro de civil. Já fazia filmes com o Dustin Hoffman e Paul Newman, mas acima de tudo era mesmo mesmo giro. 

Por 89 comprei uma revistita espanhola, a Bravo não trazia fotos suficientes para eu perceber que era agora os do Nascido a 4 de Julho no que a beleza dizia respeito. Já o tinha visto com uns compridos cabelos, um ar de cinquenta anos, aquilo estava a custar muito aos meus encantados 12 anos. Então o Oliver Stone não sabia que ele era tão bonito e que tinha de o ter bonito num filme, ele até já tinha feito de militar e estava tão lindo (aos 12 anos isto era de facto importante, pelo menos nos meus 12 anos).

Até que apareceu esta foto. Ainda hoje consigo ver vagamente o motivo, na altura foi esta fotografia que salvou a minha esperança quando a vi naquela pequena TV 7 dias em castelhano: 'está tão lindo!"

Born On The Fourth Of July 1.jpg

 

 

10
Jun18

Ontem voltei a ver o meu poeta preferido

Pi

Foi a segunda vez que vi Chico Buarque ao vivo. Doze anos separaram uma vez de outra, mas ambas valeram cada segundo. 

Gosto de Chico Buarque há muitos anos, na família materna sempre se ouviu MPB, posso dizer que cresci a ouvir génios como Jobim, Vinicius, Toquinho, Chico ou Caetano, para mencionar apenas alguns. Das vozes às letras há uma serenidade, e uma quase ingenuidade que sempre me comoveu. Sempre me foram passados como temas engraçados, simpáticos, numa língua que nos era muito (literalmente) familiar. 

Tenho pena que não cante alguns dos êxitos mais antigos, os que me levam à infância, aos discos em capas de papelão, tenho pena que a versão de "Partido Alto" partilhada com Caetano Veloso nunca se ouça, mas é uma pena egoista. Ouvir Chico vale sempre a pena. 

A minha relação com as letras de Chico Buarque é um caso de amor. Os sambas, os desamores, as felicidades ao luar, os boleros, os amantes, os fait divers cantados numa voz grave e tão calma (na voz tranquila só Jobim o bate), são talvez o happy place em que nunca penso quando alguém fala nisso. Quis guardar a sua voz na memória mais uma vez o que, mesmo sabendo as letras, me fez ficar em silêncio só para o ouvir cantar. 

É seguro dizer: "Foi bonita a festa, pá, fiquei contente"

 

Texto originalmente publicado no Delito de Opinião

28
Mai18

Por que gostei eu do Han Solo

Pi

Solo-Star-Wars-large.jpg

Vamos já tirar do caminho a parte técnica: eu percebo pouco disso. O que me leva ao cinema é uma boa história, já o tenho dito por aqui (e um bom elenco, ou mesmo um actor giro, assumo tudo). Percebo pouco de realização, ou se calhar percebo, mas ligo menos. Reconheço uma mega-produção, mas não é o que me faz necessariamente sonhar. 

"Solo, a Star Wars story", é uma Star Wars story realmente. Tem uma introdução caracterísitca da saga, e um shit hits the fan que culmina com o Bem-vagamente-sobre-o-Mal-que-temos-mais-filmes-para-fazer. Tem droids, tem diálogos bem humorados, tem bons que são maus, maus que não são os piores, tem tie fighters e tem Mllennium Falcon *amor*.

Não tem Harrison Ford e esse era o principal medo. Crescemos não só com Harrison Ford como Han Solo, como o próprio Harrison Ford, só ele, nos empestou a infância, a adolescência, a vidinha enfim, com a sua existência e carisma. Não era fácil, mas quanto a mim Alden Ehrenreich também não tentou imitar Harrisson Ford. E bem, seria triste ver uma caricatura. Pelo contrário, vi Han Solo em detalhes subtis, sem exageros, com dignidade. Esteve à altura.

Quando eu vou ver Star Wars, o que espero é reconhecer referências e ligar os pontos. Gosto da sensação de perceber as piadas só para fãs, o piscar de olho de uma cena de há três filmes que reconhecemos e nos faz sorrir ou vibrar. Não quero entrar em detalhes para não correr o risco de spoilers, mas Han Solo mostra-nos grande parte da vida de Han que já sabíamos como era porque ele no-la contou nos episódios IV, V e VI. Aqui vemo-la finalmente acontecer. As fanfarronices de Han Solo estão todas ali e querem-se assim mesmo. Há pouco que não saibamos, o embrulho em volta do essencial é acessório, tudo o resto ele já nos tinha contado, a fama do jovem Han Solo, literalmente, precedia-o pelo velho Han Solo. Mas neste caso, o que eu já sabia, foi o que mais gostei de ver desenrolar-se à minha frente. Dei pouca importância às histórias paralelas, personagens novos, guiões mais ou menos políticos e românticos. A história de Han Solo tem finalmente imagem, foi o que me interessou mais. 

Por fim, gostei mesmo de ver o Lando de Donald Glover, está feita a ligação perfeita. Consigo perfeitamente imaginar este Lando envelhecer no general de Billy Dee Williams. Um mais refinado, ainda com a vaidade da juventude, o outro já cansado, mais sábio, ainda guardando algum rancor a Solo ainda que se redima mais tarde.

É ver, é ver que é difícil não falar mais abertamente de Star Wars. 

"What have you done to my ship?"
"Your ship? Hey, remember, you lost her to me fair and square."

 

13
Mai18

Eurovisão. Uma pequena grande experiência

Pi

A Eurovisão para mim é da infância, remete-me para os anos 80 e o video beta que havia lá em casa. Tinhamos alguns festivais gravados e eu via-os de enfiada, cantarolava e dançava o que podia. Lembro-me de algumas músicas improváveis como a da Holanda em 86 (quatro miúdas, na altura mulheres para mim, que pareciam vestidas pela Migacho), ou a Turquia em 85 (Didai didai didai) que eu cantava destemidamente sem pensar se percebia a língua, numa ousadia típica de criança. Já não falo do hinos da minha infância que foram "Sobe sobe, balão sobe", "Playback" e "Bem Bom". 

Não sou, nem vou agora fazer-me passar por, pessoa que siga a Eurovisão todos os anos, de há muito tempo para cá. Vou sabendo quem é a música portuguesa, sei depois vagamente quem ganhou, ou no limite, se estou em casa, acompanho a final como barulho de fundo. Claro que o ano passado, até porque me calhou trabalhar nessa dia, vi a vitória do Salvador Sobral cheia de nervos no twitter, onde muita gente como eu, não estava habituada a estas votações com público e tudo.

Falemos das pontuações. Já não há júri a dizer todos os pontos que dá a quem. Ainda há um júri que fala por cada país, mas só referem os ambicionados 12 pontos, twelve points, douze points. O resto é acompanhar no ecran como se puder. E é aqui que começam países a desandar sorrateiramente na tabela se não se estiver antendo. Mas piora quando chegam os pontos do público porque os valores são outros e há concorrentes que dão pulos enormes até ao podium (foi o caso da Itália ontem). O ano passado foi divertido e com muitos nervos porque havia mais gente no twitter com atenção à votação, e quando chegou a esta parte, nós, os que ignorávamos como funcionava, íamos tendo uma síncope. O final, é sabido, foi feliz para Portugal. Foi uma boa noite de twitter.

Mas tudo isto para dizer, que tive oportunidade de ir assisitir in loco à final organizada por Portugal, e gostei muito. Como evento é espectacular. Muita luz e cor, tudo a funcionar ao minuto, um ambiente feliz e de festa, pessoas de todos ou quase todos os países em prova a circular por Lisboa durante a semana. Gostamos muito disto. Ou gosto eu. No Euro2004, na websummit, na Eurovisão, perceber de onde vê e para onde vão.

Uma coisa que pude verificar é que apesar de virem com as cores dos seus países, não torcem necessariamente só por estes. Durante as actuações havia reacções unânimes à música da Austria, da Estónia, de Chipre, Israel, Espanha, Austrália e Reino Unido, por exemplo. Também se verifica este comportamento durante as votações. Há uma diplomacia admirável. Ali estava eu, habituada a escolher o lado e ser-lhe leal até ao fim, meio amudadinha com a falta de pontos para Portugal mesmo gostando de outras canções, e os habitués aproveitavam, aplaudiam, gritavam de exctiação cada vez que alguém se adiantava no primeiro lugar. Saudável esta forma de ver uma competição, sem dúvida. Só quando Montenegro deu 12 pontos, twelve points, douze points à Sérvia se ouviu um "buuuuu" geral, mas até isso foi curioso de perceber. 

No fim como sabemos, venceu Israel com aquele espalhafato todo. Não sou contra, a votação até já conta com o público, e foi o público que catapultou Netta e o seu Toy para o primeiro lugar. Mas dificilmente nos lembraremos das outras 25. 

28
Fev18

É de uma boa história que eu gosto - trazido do Delito

Pi

Já de há uns anos - as minhas memórias dos vinte anos já têm vinte anos, é um facto em que tenho reparado no último ano - para cá, quando os filmes nomeados começam a chegar, tento ver a maioria. Por hábito, não por ser muito entendida, mais por gostar de estar a par e desde pequena ver os Oscars, ainda que com um enstusiasmo decrescente de ano para ano. 

Ainda gosto que em cerimónias como Oscars e Globos, possamos ver actrizes e actores como nunca os vemos. Mas claro, com a idade também vem a noção de que nada é inocente ou muito espontâneo e a magia perde-se de entrega para entrega. Ainda assim, não é este ano que desisto. 

Uma coisa de que me tenho apercebido com os anos, é de que não tenho a pretensão de perceber qual é o melhor filme. A melhor realização, a maior produção é necessariamente a melhor? Cada vez tenho menos interesse em perceber o que julgo ser subjectivo tantas vezes. Todos os anos há satisfeitos e atónitos com as escolhas, todos os anos há forum sobre a credibilidade da Academia. 

A mim, que gosto de ir ao cinema nesta ou outra época, basta uma boa história. O story telling é o que me interessa mesmo no meio de tudo. Vale para cinema ou literatura, mas é saber de uma história bem contada que me leva às salas. Vi ontem "Eu, Tonya" e apesar de ser muito baseado no documentário "The price of gold" da ESPN, que aconselho vivamente, é um bom filme, uma história bem contada. Há umas semanas vi "Todo o Dinheiro do Mundo", e há um mês ou dois, vi também Borg vs McEnroe que são História Contemporânea pura. Ambos falam vidas de pessoas do nosso mundo, de acontecimentos contemporâneos. Gostei de juntar nomes e eventos perdidos na minha memória, coisas vagas da infância, que através do cinema posso reconstituir.

É decididamente do que mais gosto no cinema, um bom relato, fictício ou não. Que me entretenha e leve a outros mundos e vidas. 

Sobre comportamentos em salas de cinema podemos falar num próximo post. 

Post originalmente publicado no Delito de Opinião
 
21
Fev18

15:17 to Paris

Pi

Esta história é verdade, aconteceu e todos nos lembramos de a ver em notícias.

Estes rapazes são heróis que vivem entre nós. Não devíamos esquecer, mas a memória é muitas vezes curta. Clint Eastwood garante que não esquecemos acontecimentos como este, e bem. 

Para imprimir bem o realismo e a proximidade ao que aconteceu, nada melhor que escolher os próprios como protagonistas do filme. O filme (de um momento) das suas vidas, um momento deles, mas também nosso.

2015 foi ontem, mas é sempre maravilhoso ver uma história contada por Clint Eastwood. Pessoalmente ser História Contemporânea só melhora tudo. 

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11
Jan18

Regresso a Hogwarts. Um podcast (ou dois)

Pi

Começando pelo início: um dos meus podcasts do amor (i.e. preferido, de eleição, do coração), é o Binge Mode, que encontrei quando procurava podcasts sobre "Game of Thrones".  É possível que haja melhores, mas acertei em cheio no tom e na paixão com que Mallory Rubin e Jason Concepcion falam de Westeros, os lobos e companhia. É divertido, falam-nos dos livros e do que está para trás na vida de cada personagem, e todas as sensações que cada cena lhes transmite. É à minha medida e continuará no meu top de podcasts. Adiante.

Binge Mode

Quando terminou a última temporada, sem Binge Mode ficou um vazio nos meus podcasts, até que... Estão de volta! Não com "Game of thrones", com outras séries (como "Black Mirror") e filmes (como "Coco"), e estão em preparação para começar a dissertar sobre "Harry Potter".

Bom, eu li Harry Potter. Já era crescida quando os livros saíram, mas li tudo e adorei. Agora o meu podcast favorito vai dedicar-se a esta série, e eu, que me lembro de gostar muito do detalhe dos livros, de tudo bater certinho a cada capítulo, livro, e no seu todo, sei que aquilo de que me lembro, não é o suficiente para aproveitar Binge Mode em todo o seu esplendor.

Como tenho livros salteados e baralhados - li emprestados, comprei uns em inglês outros em português -, e me habituei a ouvir podcasts no caminho, nos transportes, nos passeios a pé, tratei de procurar um podcast que me reavivasse a memória.

The Real Weird Sisters

Encontrei "The Real Weird Sisters", onde cada episódio é o resumo de um capítulo de cada livro. Perfeito. Acresce que Alice e Martha (as weird sisters) têm uma experiência diferente da minha. Leram os livros em criança - entre os 9 e os 12/13 leram o primeiro livro - e de lá para cá já os leram dezenas de vezes, esperaram lançamentos de livros à porta de livrarias, estreias de filmes vestidas a rigor, falaram para a TV local sobre a sua fandom. Ou seja, foram crianças que cresceram com os livros de Harry Potter, o que resulta num viver da série que me vai certamente deixar apta a ouvir Binge Mode.

Aconselho ambos, um para quem quiser reviver (ou mesmo conhecer) os livros de Harry Potter por quem os domina e adora, o outro para rir, chorar, e esperar ansiosamente pelas quintas (dia a que sai um novo episódio de Binge Mode).

 

Estou de volta a Hogwarts, portanto, e vou já fazer o meu Sorting Hat definitivo. Depois conto coisas. 

29
Dez17

Walking Dead - o resumo (com SPOILERS, aviso já)

Pi

Começando pelo fim, porque vi esta semana o último episódio, tenho de ser sincera: há preguiça e (e/ou, houve uma altura em que se usava muito o e/ou, e aqui aplica-se) amadorismo na escrita destes episódios.

 

* * Spoilers a partir daqui * * 

Deixar que o Carl está ferido de morte para o fim, é egoísta. É possível que alguém o tenha percebido logo, mas não é óbvio para toda a gente. Se eu vir o episódio uma segunda vez, vou naturalmente perceber que do diálogo ao tom de pele, os sinais estão lá, mas não é suposto ter de ver uma segunda vez para perceber, só porque alguém quis guardar até ao fim a informação mais importante do episódio. Andando um temporada e meia para trás, não acompanhei em tempo real as reacções, mas suponho que os fãs também não tenham apreciado o cliffhanger da sexta para a sétima. Eu vi a série de seguida, por isso não fiquei meses à espera de saber em que cabeça tinha aterrado a Lucille. Não se faz, não há necessidade, quando depois até teve um momento inesperado. Era possível o equilíbrio, mas escolheram garantir que as pessoas voltavam na sétima season. É válido, mas rasteirinho.

Dito isto, e no geral, o mais e menos:

 

Gostei

Primeiras quatro temporadas. Ambientes diferentes, alguns momentos trágicos talvez previsíveis, mas eficazes, como Shane, Merle, Hershel, Carl e Lorie. Gostei dos episódios na prisão - dos do Governor nem tanto, embora fosse preciso um desenlace, reconheço. 

 

 

30
Nov17

É tanto tempo que nem dá pra pensar

Pi

O meu primeiro concerto foi dos Xutos. Em julho de 88, perante uma paixão assolapada que tinha começado um ano antes sensivelmente, com "Contentores", e já ía em "Doçuras", a minha mãe comprou dois bilhetes para irmos ver Zé Pedro e cia ao pavilhão "Os Belenenses".

Em 88 eu tinha 11 anos. Senti perfeitamente que era uma criança ali no meio, mas era uma criança que estava num concerto de Rock, daqueles mesmo mesmo a sério. A certa altura, no meio daquele desfile de músicas que eu sabia de cor, o Zé Pedro passa para a frente, e canta "Submissão". O meu coração nem aguentava tanta emoção (na altura nem quis saber do timbre): além de tudo o resto, ele cantava! Aquele "olhó Zé Pedro" do Kalu, no final, ficou para sempre na minha memória.

Guardei durante muito tempo uma entrevista, julgo que no Expresso, onde estava a minha fotografia preferida (pelo menos lembro-me dela assim) do Zé Pedro. Uma outra vez, estava a estudar Matemática e os conjuntos, e o Zé Pedro apareceu na tv, numa campanha do Pirilampo Mágico. Nunca o Pirilampo me pareceu tão rockeiro e cool. 

Depois fui crescendo, e como para muita gente, os Xutos ainda eram os Xutos, mesmo que não os fosse ver a todo o lado. Admito que me desiludi um pouco na fase "cervejola para ver a bola", mas fiz as pazes pouco depois, o que estava para trás era maior, bem maior. 

 

Não era preciso falar muito nele, ou incluí-lo em listas de preferências: o Zé Pedro estava ali, era para sempre.

E será.

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