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Da vida de Pi

Da vida de Pi... nilla. Uma espécie de director's cut, vá. Vivo de ler e escrever. De ler escritas, de escrever leituras, de debater termos e criar frases. Aqui escrevo da vidinha. Vidinha de Pi, é isso.

Da vida de Pi... nilla. Uma espécie de director's cut, vá. Vivo de ler e escrever. De ler escritas, de escrever leituras, de debater termos e criar frases. Aqui escrevo da vidinha. Vidinha de Pi, é isso.

Da vida de Pi

18
Out13

Sudoku

Pi

Eram os quadrados, mais que as linhas e as colunas. Completar cada um dos 9, precisar das linhas para os confirmar, contular as colunas para os aperfeiçoar. Mas eram os quadrados o que mais gostava de completar.

Nos gratuitos vinham sudokus. Todos os dias recolhia pelo menos dois. Pacientemente, à noite recortava um rectangulo em volta, que caberia milimetricamente na caixa de madeira que era por sua vez do tamanho da lancheira onde levava o feta. Ambas caberiam na pasta e a ordem seria total. Andar de transportes com sacos e saquinhos não. Além disso havia que ser prático.

O comboio levava trinta minutos, o metro outros vinte. O suficiente para resolver os de nível fácil e médio. O difícil tinha dias. Mas eram os tempos ideiais para retirar cuidadosamente a caixa de cima da lancheira, o sudoku de dentro da caixa, poder pousar a pasta, e resolver. Todos os dias dois, um de manhã outro no regresso a casa.

Tinha actualmente um montinho de 20 porque Carolina, uma colega do trabalho, acumulara jornais nas férias e lhos cedera. Deixara-os em cima da secretária e ele agradecera de passagem pela máquina do café, sem tirar os olhos da copo do galão - café a mais seriam horas a tremer. Dois feitos por dia, dois acrescentados, teria 20 por algum tempo. Esta calma e tranquilidade eram a sua base, quase a sua felicid... não, não, a felicidade não podia ser isto. Estava perto, mas não era aquilo certamente. Na verdade, não lhe dava mais prazer fazer isto que o quarto de vigor e a bola com creme aos domingos de manhã, ou reler os apontamentos de História das Mentalidades - as medeivais e modernas, essa era a melhor parte. A felicidade havia de estar perto mas um bocadinho mais à frente.

Hoje uma linha teimava em completar-se mais facilmente. "Não, não, eu vejo-te mas não quero ir por aí" e insistia em completar antes um quadrado, e outro. Sem ordem nenhuma em particular, mas sempre os quadrados antes de linhas e colunas. Que não podia ser, diziam-lhe. Se podia, tantas vezes chegara ao fim por aí. "Não, eu vejo-te, mas não quero até ser vital" e sorria.

Carolina, sentada ao lado no metro como sempre, pensava "Não me vê hoje também. Amanhã tento de novo. Um dia destes diz-me olá".

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