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Da vida de Pi

Da vida de Pi... nilla. Vivo de ler e escrever. De ler escritas, de escrever leituras, de debater termos e criar frases. Aqui escrevo da vidinha. Vidinha de Pi, é isso.

Da vida de Pi

Da vida de Pi... nilla. Vivo de ler e escrever. De ler escritas, de escrever leituras, de debater termos e criar frases. Aqui escrevo da vidinha. Vidinha de Pi, é isso.

Sou o meu próprio comic relief

Pi, 03.09.14

Eu conto. E guardo aqui. Porque um dia a vida será sem episódios destes e eu vou rir e pensar "mas que disparate era aquele de achar que era a Bridget Jones?".  A manhã não estava fácil. Além da pressão diária que venho a sentir, notícias menos boas chegaram via chats e redes sociais. Aquelas coisas que ainda não matam mas já ultrapassam o moer. Estava a ser uma manhã nublada no mínimo. 

Não melhorou, mas nem eu consigo levar-me a sério quando me acontecem estas coisas: fiquei fechada na casa de banho do trabalho. A fechadura está solta, eu dei a volta à chave, esta veio atrás da minha mão e caiu no chão. Do lado de fora.  Como é que eu faço esta coisas? Não sei, mas fazem estudos sobre tudo, podem avançar com mais este.  Primeiro pensamento: aguardar,  alguém há-de chegar. Segundo pensamento: a abordagem. Ainda não tenho muita confiança com as pessoas,  ainda não as reconheço pela voz e passos,  muito menos pela forma como abrem portas. E entrando alguém, que digo? “olhe desculpe,  não sei quem está aí,  mas pode ver se está uma chave no chão?" e as pessoas perceberiam logo, não pensariam que eu estava ao telefone? Eu nunca levo o telefone para a casa de banho e muito menos falo em tal local, mas nós não nos conhecemos, sabem lá se sou pessoa de estar ao telefone ali. Mil e uma hipóteses me passaram pela cabeça e nem uma pessoa apareceu. Que fazer? Começar a chamar nomes aleatoriamente? Bater na porta? Dizer socorro estava fora de questão. Subir e saltar o cubículo? E se alguém aparecesse nesse preciso momento? Ainda bem que ninguém me esperava para almoçar hoje. O almoço! Todos iriam almoçar e eu ficaria ali até às duas da tarde. 

Não subi a porta mas desci-a. Como não chega ao chão, quando o pânico social passou lá consegui raciocinar. A chave não tinha demorado a cair nem feito barulho de ir longe,  "pode ser que esteja perto". Baixei-me,  espreitei e ali estava, perto da porta,  e a uma distância que com esforço consegui superar. Não sem antes pedir ao deus dos braços curtos e pulsos gordos que se deixasse de gracinhas nesta hora. Abri a porta e saí no preciso momento em que chegou alguém. 

 

- olá, bom dia. 

- olá, tudo bem? Até já.  Enviado de Samsung Mobile

"Vai correr tudo bem, eu sei". E como, pergunto

Pi, 03.09.14

 

A leviandade com que se diz e escreve "Nós sabemos que vai correr tudo bem". Sabem como? Sabem nada. Posso ser eu com a densidade emocional de um muro, eu que nunca fui de feelings e continuo a não ser. Acredito mas raramente tenho certezas sobre os destinos dos outros. Posso também ser eu que levo tudo demasiado à letra, no fundo sei que as pessoas só querem mostrar que estão solidárias. Mas a certeza dos outros é uma coisa de que fujo, o perigo de me agarrar a ela é enorme, e ela ser falível idem, prefiro não a ver.
Uma flor no cabelo, um por do sol, um hino não trazem melhor ou pior sorte a ninguém. Tal como fechar-se a tudo isso não trará necessariamente a penumbra ou a felicidade eterna. As coisas são aqui e agora, e ninguém pode saber se vão muito correr bem ou muito mal. Há dez dias estava tudo bem, hoje está tudo mal. Não é nada que me seja próximo, ou muito próximo, mas a mediatização trouxe-os até mim e acompanho. A medo, muito medo, com uma distância segura e de muito respeito por tudo porque mais perto de mim há semelhante.
Fácil, facílimo passar numa rede social e deixar um "Eu sei que vai correr tudo bem" e quando corre tudo mal, oops, estranho, eu tinha tanta certeza... Não se confundam: esperança, fé, o que queiram, é uma coisa e cada um tem a que quiser, em quantidades astronómicas se assim o entender e tiver forças. Por certezas tenho muito respeito e não acredito em todas, se é que nalguma.