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Da vida de Pi

Da vida de Pi... nilla. Uma espécie de director's cut, vá. Vivo de ler e escrever. De ler escritas, de escrever leituras, de debater termos e criar frases. Aqui escrevo da vidinha. Vidinha de Pi, é isso.

Da vida de Pi

Da vida de Pi... nilla. Uma espécie de director's cut, vá. Vivo de ler e escrever. De ler escritas, de escrever leituras, de debater termos e criar frases. Aqui escrevo da vidinha. Vidinha de Pi, é isso.

Marias Capazes ou não, respeitem as pessoas saxavor

Pi, 25.02.15

Já se sabe que vivemos dias nervosos com tudo e um par de botas, toda a gente reclama e aponta dedos, todos são Charlies e quem não for é para abater, e essas coisas todas. Eu estou incluída em tudo isto, sem problema em assumi-lo. Como tal, há coisas que me irritam bastante. Passo a exemplificar.

Ontem ouvia a Prova Oral no caminho para casa, e apanhei uma chamada de uma rapariga que, com ironia, contou que um dia destes numa livraria pedia informações e, ao falar em sexo oral, a pessoa que a atendia (acho que mulher também) baixou o tom de voz para responder. Ela ficou muito surpreendida, pelas suas próprias palavras a reacção foi "mas que é que se passa? Perdeu a lingua? Ficou sem voz? Mas qual é o problema?" e daí dissertou sobre os dramas e complexos das mulheres, a educação culpada destas vergonhas e pudores, sempre salientando que não tem problema nenhum, que fala de tudo na maior, que é tudo muito natural e como tal pode falar-se sem problema, e acrescentou "sou menos senhora por falar destas coisas com naturalidade?"

Tudo muito certo. Ou quase. 

É só a mim que isto parece dar a volta? Evidenciar o pudor alheio não serve também para salientar como "sou tão saudável, olhem para mim toda tão sem complexos e há umas ainda tão atrasadas, sou tão melhor que elas"? É preciso apregoar se já se o é? É isto que vai ajudar as pessoas a sentirem-se à vontade? E por que é que falar com estranhos sem desconforto tem de ser sinónimo de evolução? Eu não me considero a pessoa mais conservadora do mundo, mas também tento perceber com quem falo e respeitar o limite de cada pessoa. Há pessoas com quem falo de tudo, não muitas, e há pessoas com quem percebo (e outras com quem nem me apetece) do que posso ou não falar. Considero isso ter maneiras e não invadir.

Cansa-me que se confunda emancipação com má criação e desrespeito, lamento. O que é natural para umas não é para outras e nenhuma está errada. Errado está não respeitar isso.

Não, ela não é menos senhora por falar destas coisas ou perguntar por sexo oral numa livraria com à vontade. Tal como a outra não é menos mulher por ter pudor nisso.