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Da vida de Pi

Da vida de Pi... nilla. Uma espécie de director's cut, vá. Vivo de ler e escrever. De ler escritas, de escrever leituras, de debater termos e criar frases. Aqui escrevo da vidinha. Vidinha de Pi, é isso.

Da vida de Pi

Da vida de Pi... nilla. Uma espécie de director's cut, vá. Vivo de ler e escrever. De ler escritas, de escrever leituras, de debater termos e criar frases. Aqui escrevo da vidinha. Vidinha de Pi, é isso.

Totti, o rei (que dor) e o momento em que me (lhe) rendi

Pi, 29.05.17

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É possível que tenham passado vinte anos. Eu achava que nunca me iria habituar a outro príncipe que não Giannini, que ideia era agora esta, um miúdo da minha idade para lhe suceder?! Não, estavam muito enganados, podia lá ser. E estavam, de certa maneira, porque Totti não foi príncipe, foi e é rei.

Totti nunca foi discreto ou humilde na sua ascensão como rei de Roma, e isso desarmou-me. Possante, arrojado, sem pedir licença. Um latino à antiga, era irresístivel.
O momento em que me rendi definitivamente nem aconteceu na Roma, mas na meia final de 2000, num 3-1 em penalites à Holanda (há sempre drama, é maravilhoso e devastador ao mesmo tempo). Era tempo de kappa, Zoff no banco, e Toldo na baliza. Tenho na memória Frank de Boer e Stam a falhar. Maldini também, mas já não fez mal. Estávamos em Junho, e eu tinha frequência de História Medieval Geral. Deixei-me ficar num café perto da faculdade a ver os penalties. Não corria mal à Itália, quando veio Totti e, com aquele Panenka (hoje sei que avisou Maldini e Di Biagio, "Mo je faccio er cucchiaio", que gelaram ao ouvi-lo), me fez estremecer, e ao mesmo tempo rir nervosa (depois de dar golo). Na celebração, punho fechado no ar, mesmo à Totti - na altura ainda não era er pupone, de dedo na boca -, e já eu estava rendida a tanta confiança.
 
Passam vinte, vinte e cinco anos assim num instante, cada imagem que vejo me parece ser de ontem - Totti nos comandos da camara não é de ontem? Totti a cantar o Azzurro não foi há dois dias? Todas as fotos que guardei em julho de 2006, a camisa azul escuro e a bandeira na cabeça, os beijos na copa, não são tão recentes? O tempo passou, de facto, mas Totti é para sempre. 
 
Ontem estive a ver a sua despedida. Falou como um homem - parte-se-me o coração ao ouvi-lo dizer que tem de crescer, que vai estar a última vez no balneário onde entrou há 25 anos, e que agora é ele quem tem medo - como um capitão. Vi e revi discurso, fotos, abraços e despedidas. Totti e De Rossi, Totti e Florenzi. Italiani Veri. Guardei tudo o que pude, não sei se o meu arquivo não vai rebentar de vez.
 
Uma lagriminha, pois, como não? Sinto-me no direito de chorar Totti. Mesmo que seja para sempre o rei.