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Da vida de Pi

Da vida de Pi... nilla. Uma espécie de director's cut, vá. Vivo de ler e escrever. De ler escritas, de escrever leituras, de debater termos e criar frases. Aqui escrevo da vidinha. Vidinha de Pi, é isso.

Da vida de Pi

Da vida de Pi... nilla. Uma espécie de director's cut, vá. Vivo de ler e escrever. De ler escritas, de escrever leituras, de debater termos e criar frases. Aqui escrevo da vidinha. Vidinha de Pi, é isso.

Em 2009 entrou-nos twitter e vida dentro.

Pi, 17.09.21

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Tinha conversa para todos, jogo de cintura para qualquer um, o verdadeiro anfitrião tinha chegado, foi logo óbvio. Adorei-o desde o primeiro segundo, ríamos todos muito e sempre. Foi um furacão de alegria e graça que nós apareceu ali. Lembrava-me tios - sempre lhe chamei "tiozorre" - não muito mais velhos, que já têm algum saber mas não deixam de nos saber acompanhar. Saber falar com toda a gente e não se esquecer das privates, das paixões, dos gostos em comum, é raro e precioso. Da lota da Caparica ao carpaccio mais refinado, chegava para todos com a mesma energia e boa onda. Tão boa... Se há bom exemplo do que as redes nos dão, o Joe Best é o maior (pun intended).

Um dia passei pelo Oliva da av. da República e fomo-nos apresentar, eu e a Joana. Não foi preciso dizer nada, o Joe, o tiozorre, reconheceu-nos logo e fez uma festa. Como sempre, como quem o conhece sabe ou já viu. De lá para cá, não nos vimos muito mais vezes, mas o contacto foi mantido nas redes, umas vezes mais outras menos. De lá para cá, também me ficou sempre na memória e nas preferências a Caprese.

Em Abril avisou-me que se ía mudar e desejei que corresse tudo pelo melhor. Lembrou-me mais uma vez que "tenho os copos do Itália 90 para ti!"

Temos - não é possível dizer tudo no passado, ficará para sempre - em comum os U2 - muitos de nós -, sabe que amo "Until The End Of the World" e canta-me ou menciona-me sempre que há whiskey in the jar, a nossa música na pista virtual.

Obrigada pela tua passagem no mundo, tiozorre, não sei se te merecemos.

Pinigola (como me chamou até abril de 2021), de coração partido

 

Voltei a casa. Só eu sei.

Pi, 16.09.21

(Este post ficou nos rascunhos a 7 de Agosto e depois nunca mais me lembrei dele. Mas até é um bom - mau - dia para o publicar)

Desde pelo menos os meus 14 ou 15 anos nunca tinha estado tanto tempo sem ir a um estádio de futebol. Já fui mais vezes, já fui menos, voltei a ser assídua e de repente... 17 meses sem poder entrar num estádio, ver futebol exclusivamente na TV.

Voltei a casa, Alvalade é também casa minha, é onde já fui feliz, infeliz, mas onde sempre partilhei essas angústiias e euforias, onde quem como eu, também o faz. Ali sabíamos o que sentimos e não nos julgávamos. Fez-me falta, muita, por vários motivos, é um destino que me é muito familiar no dia a dia, e numa época como a que passou então... continuo a só ter memórias do Sporting campeão no estádio antigo. Não me queixo, foi como teve de ser.

Não fomos muitos, longe de sermos todos, ainda sem perspectiva de podermos ser mais ou sem máscaras, testes e comprovativos. Não fomos sequer nos lugares de sempre, por um motivo ou outro. Mas fomos os que fomos. 
Um regresso com 3 - 0 frente ao Vizela, para assinalar em bom. Melhor volta a casa depois do úlltimo ano e meio seria difícil.

De volta a 16 de Setembro:

ontem não pude ir ao estádio, não tenho podido ir ultimamente. E aos 0-2, a primeira coisa que me passou pela cabeça foi: "não ficar em casa, não ficar em casa n-ã-o f-i-c-a-r e-m c-a-s-a!" Como? Quem gosta de sofrer? Quem não preferia não ter gasto dinheiro para ver uma tragédia? Eu. A minha cabeça não sai dali naquelas quase duas horas, nem nas horas a seguir. Mais vale passar o jogo onde e com quem sente o mesmo que eu. No 1-4 pensei - e escrevi algures - "bom, temos de ceifar um ou dois", não se diga que não tenho estratégia.

Senti as palmas no fim. Há muitas emoções no ar ainda, há quem tenha regressado ontem pela primeira vez desde 2020, há o que cada um entender. A mim emocionaram aquelas palmas, em caras tristes, deixem-me cá.

Destrua as ondas, não a timeline

Pi, 09.09.21

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Talvez quem me lê neste momento não use muito redes sociais, ou use pouco, um pouco de passagem e está bom. E está bem. Eu uso muito, tanto por obrigação/necessidade como por lazer, passo várias horas a ver timelines, posts, comentários, tendências, influencers, anónimos e trolls. A estes últimos dou menos atenção, como é regra.

Nunca precisei de formações para começar a usar redes sociais, mas já as tive num âmbito profissional e recolho sempre dicas úteis em cada uma. Não se perde nada, de modo geral tento aprender qualquer coisa, mesmo em adversidades (e muito tenho aprendido da vidinha, por vezes bem contrariada...).

Ora, da observação que vou fazendo, mesmo da minha própria utilização, vou concluindo que há tanta formação de redes sociais - "faça um post no Facebook ainda hoje!", "desembarace o novelo de tweets que lhe aparecem na timeline", "o instagram é para si, que gosta de fotografia, comida, ou só saber da que acha ser vida dos outros!" - quando podia dar-se aqui um equilíbrio, com uma formação - um workshop, um webinar, como lhe queiram chamar - de utilizador, sem querer ensinar como sê-lo, mas antes mostrar o que não ser online: um “saiba como não ser um troll involuntário, a pior espécie”.

Módulos a desenvolver:

  • Aprenda que um perfil não é só o que lhe aparece à frente. Avance sem medos.

Palavra de honra, um perfil não é só aquele post que nos aparece. Podemos mesmo, imagine-se, entrar nós em determinada conta/perfil e ver mais além, conhecer, acompanhar ou deixar de o fazer se assim o entendermos. 

  • É possível ler para além da foto. Vá buscar os óculos, nós esperamos.

A sério, muitas vezes, quase quase sempre, o texto complementa e legenda uma imagem. Nem sempre há um texto - copy, caption, cada um com a sua - por baixo de uma foto, e quando há, nem todos acrescentam, é certo. Há erros, mensagens muito pela rama - há gostos para tudo, há cansaços que nem dão para mais, não está em causa ler muito ou pouco -, há mensagens maiores, eu sei, ninguém tem tempo ou paciência para ler muito "na internet", mas às vezes vale a pena. Há até posts/textos médios. O que importa aqui é que não façamos perguntas desnecessárias sem esgotar a informação disponível no que temos à frente.

  • Ninguém nos vai dar mais importância se gritarmos que não sabemos quem é Cristina Ferreira. Nem ninguém acredita nisso.

Os "quem?" Os "nunca ouvi falar...", "que interessante...", as receitas metidas ironicamente nos comentários de um post... Tudo isto grita "quero atenção",  ainda que nos pareça que estamos a reivindicar a reposição da cultura onde cada um de nós acha que deve estar. Faz mal? Mal não faz mas, se ignoramos, passemos à frente. Sair deste ciclo vicioso é essencial para um regresso saudável. Se ficamos, alguma importância lhe damos. Nem que seja, lá está, uma indignação com a atenção que se dá a... ups, também estamos a dar. Raios, passar à frente passar à frente! 

  • Esta rede também é sua. Mantenha-a limpa.

Quando é entrada por saída, talvez nos seja indiferente o lixo, ou vá, a menos conseguida apresentação de um espaço, de lixo ninguém gosta. Se vamos ficar um pouco, se calhar damos um jeitinho ao nosso canto, e se vamos permanecer umas horas num recinto, apreciamos o trabalho de voluntários e não só, para o manter limpo. Até colaboramos, ou não? Passemos do *inserir evento à escolha* para as redes sociais: se todos resolvemos dizer, e com dizer não estou a falar de dar uma opinião, tudo com sete cascas de banana na mão, passamos a ter uma lixeira social. É olhar em volta, há muito disso por aí. E de lixo, reiteremos, ninguém gosta.

  • Destrua as ondas, não a timeline.

Se não for pelo contacto com o mar, esta frase será familiar a quem conheceu camisolas da Amarras. Se nem uma nem outra, não sei que vos diga, mas é auto-explicativa.
Um conselho, que como tal, se fosse bom não era de graça: quando o ambiente fica pesado, a avalanche de violência ameaça cair-nos em cima, quando o disparate menos saudável quer sair gratuitamente... Dá vontade, pois dá, atirar uma boca e sair. Também já o fiz, embora evitando sempre o fórum, não é bom para ninguém. vale a pena estar a insultar num ecrã, quando há livros para ler, batatas por cavar, formigas para contar? Tudo mais interessante e produtivo, asseguro.

Objectivos:

No final do curso o formando saberá aplicar os conhecimentos adquiridos:

  • se quiser mesmo saber, saberá fazer o drilldown num perfil e ver que existe mais informação.
  • não ser literal, reconhecer uma metáfora e, havendo tempo, mesmo uma ironia.
  • saberá, se não gosta, não quer saber ou ignora, evitar deixar rastos nocivos, seguir para outra, passar à frente.
  • não é garantido que adquira tolerância a opinião contrária à sua. Disponível no nível avançado: "Teimosia: benéfica na tertúlia quando não resvala para intolerância, meio caminho andado para o fanatismo no online"