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Da vida de Pi

Da vida de Pi... nilla. Uma espécie de director's cut, vá. Vivo de ler e escrever. De ler escritas, de escrever leituras, de debater termos e criar frases. Aqui escrevo da vidinha. Vidinha de Pi, é isso.

Da vida de Pi

Da vida de Pi... nilla. Uma espécie de director's cut, vá. Vivo de ler e escrever. De ler escritas, de escrever leituras, de debater termos e criar frases. Aqui escrevo da vidinha. Vidinha de Pi, é isso.

Ainda o internamento de Agosto

Pi, 09.04.20

Como já disse antes, estou a trabalhar de casa e sinto-me bem até ver. Tenho-me lembrado dos dias em que estive internada, no verão passado e das pessoas que trabalhavam naquela enfermaria. 

Entrei numa terça e saí no sábado seguinte, a minha cirurgia foi na quarta ao fim da manhã. Nesse dia, não dei acordo como deve ser até já ser noite, altura em que aproveitei para dizer, por mensagem, que tinha corrido tudo bem a algumas pessoas mais próximas. Sentia-me tão grogue que não achava possível fazer o bendito levante no dia seguinte. Mas fez-se. 

Digo fez-se porque fui com ajuda, tive apoio para me levantar e tomar banho - deram-me banho, sim. Não precisei que me segurassem, mas foi um alívio ter quem olhasse por mim naqueles primeiros momentos pós-operatório. 

Engraçado que me pareceu muito mais tempo, quando na verdade só lá estive mais sexta e meio sábado. Mas as refeições pareceram muitas, ouvir o carrinho chegar pelo corredor mil vezes (foram muito menos), medir tensão, tomar analgésicos, o carrinho, a sopa, hora de medir a tensão outra vez, dormir, acordar, tomar banho, o carrinho com o pequeno almoço, tomar comprimidos, o carrinho, as refeições, dormir. Foram muitas horas, adiantei bastante um livro que levei, dormi quando quis, sentei-me, caminhei, tive tempo para tudo. Um pouco como agora, nestes dias de isolamente. Tudo isto sempre acompanhado por pessoas incansáveis, que faziam camas de lavado, mantinham tudo limpo e a funcionar, vinham ver se estava tudo bem para novo descanso. 
Eu sei, já experiências e experiências. Tive a sorte talvez de uma enfermaria para 9, só ter 3 pessoas naqueles dias. A sorte de as pessoas não estarem saturadas, a TV desligada e ninguém falar alto ao telefone. É possível que tenha tido sorte, sim. 

Já não sei recriar cada momento, nem importa para o caso. Fui bem tratada, não tive praticamente dores e zero complicações. Aquelas pessoas que chegavam pela manhã, apareciam de vez em quando e mesmo a trabalhar também nos faziam companhia, ajudaram muito a que fosse uma boa experiência. 

Uma amiga disse-me na altura "ainda bem que correu tudo bem, assim não tens medo de uma próxima". Fiquei a pensar naquilo, faz sentido.