De/o Acordo
Quando chego a casa é um alívio despir o acordo ortográfico.
Também não o uso nas minhas redes, verdade seja dita, mas a primeira frase fica mais bonita como está, digo eu. O Acordo entrou-nos vida dentro pela escola ou pelo trabalho e nem todos tivemos como lhe fugir.
Já há gerações que aprenderam com ele, e facilita uniformizar, bem sei. Não sou uma feroz opositora, já fui mais crítica da coisa, mas não me ofende. Já dei por mim a usá-lo em mensagens privadas, no whatsapp com amigos, até. Se por exemplo alguém me escreve sem acordo ortográfico e respondo usando alguma das mesmas palavras, também me sinto arrogante se a escrever com a grafia antiga (que continua a ser a minha), por isso não o faço.
Mas continuo a achar absurdo que o pê caia do Egipto, se o egícpio continua a ter de o carregar. Chateia-me muito quando teimam comigo que contacto "já não tem c", se até o lêmos. Letras que se dizem - tenham lá paciência - não omito, seja onde for.
Em suma, uso-o profissionalmente, evito-o fora disso, embora já me espreite a vida privada. Já não me aborrece tanto, só que ainda me apetece usar pês e cês mudos, deixem-me cá.
