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Da vida de Pi

Da vida de Pi... nilla. Uma espécie de director's cut, vá. Vivo de ler e escrever. De ler escritas, de escrever leituras, de debater termos e criar frases. Aqui escrevo da vidinha. Vidinha de Pi, é isso.

Da vida de Pi

Da vida de Pi... nilla. Uma espécie de director's cut, vá. Vivo de ler e escrever. De ler escritas, de escrever leituras, de debater termos e criar frases. Aqui escrevo da vidinha. Vidinha de Pi, é isso.

IPO. Vamos lá falar dele

Pi, 22.02.14

Até 2013 nunca lá entrei. Não quero fazer um post com todos os clichés inerentes, a verdade é que nem os pensei nos dias em que estive no hospital de dia ou no sétimo piso.  Crianças sim, o meu contacto com o ipo tem sido com a ala mais temida. Também eu a temia. Mas o que vejo são crianças, reajo com elas como com todas e antes da pena ou da impressão vejo a criança. Não estou a falar de cor, sei o que tenho visto e sentido, sou a primeira a reconhecer as minhas fraquezas e vi-me mais forte do que alguma vez pensei.  Como tanta gente sentia uma barreira de medo quando pensava em voluntariado ali. De repente dou comigo a tratar de alguém que precisa de lá ir. Um bebé. E tudo o que me custa é por ela, nunca foi por mim, nunca nada me fez impressão ver ou fazer.  Mas estar em casa poderia ser uma coisa e encarar outros casos, meninos, país, outra. É duro, é difícil estar ali e assistir. Mas nunca por mim, nunca foi o "faz-me muita confusão". Esta semana vi uma mãe deixar o filho de 3/4 anos sozinho com uma enfermeira. Ia diariamente fazer o penso num olho e ouvi falar em "quando tiver a prótese". Por aqui se deduz que o problema dele é ali. Perguntaram pela mãe. Não quis ver e saiu. Sim, eu já sei que nem todos temos o mesmo estômago, eu até nem sou mãe e portanto que sei eu, mas isso não devia ser muito mais sobre ele que sobre a mãe? Não há sempre a possibilidade de não olhar? No caso nem isso seria o ideal uma vez que mais tarde deverá ser a mãe a tratar dele e da tal prótese, mas que fosse aos poucos vá. Não sei, não consigo estar ali e pensar nas impressões dos adultos. Na dor, nas dificuldades sim, nas impressões não.  Sempre ouvi que a pediatria ali era o mais duro, e será claro. Mas depois de lá estar, de ter deitado abaixo o tal medo - já o vou deitando desde Agosto, ainda que sem lá ir -, e que era um medo egoísta, um querer não ver, voltarei sempre que for necessário e sem medos. Mas imagino que estar entre os adultos não seja mais fácil. Haverá um peso bem maior do realismo, da noção que entre as crianças chega a não haver.  O mais comovente de tudo e que não esqueço é que para aqueles meninos, como para tantos outros noutros hospitais, os maiores medos ali são "as picas" ou o arrancar de um adesivo.  *lagriminha* Enviado de Samsung Mobile