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Da vida de Pi

Da vida de Pi... nilla. Uma espécie de director's cut, vá. Vivo de ler e escrever. De ler escritas, de escrever leituras, de debater termos e criar frases. Aqui escrevo da vidinha. Vidinha de Pi, é isso.

Da vida de Pi

Da vida de Pi... nilla. Uma espécie de director's cut, vá. Vivo de ler e escrever. De ler escritas, de escrever leituras, de debater termos e criar frases. Aqui escrevo da vidinha. Vidinha de Pi, é isso.

Há muito disto quero crer

Pi, 07.07.14

Eu não sei se isto acontece muito a adultos, ou se sou eu que ainda trago comigo resquícios de adolescência - quer dizer, disso não tenho dúvidas, mas falo dos episódios disparatados como o que se segue. 

Chamemos-lhe Sónia. A Sònia trabalhava no mesmo edifício que eu, tinhamos amigos que tinham sido também colegas comuns. Sempre que a Sónia se cruzava comigo e um desses amigos comuns, parava a conversar, e ele apresentava-nos. Sempre. Porquê sempre, não é? Porque a Sónia fazia sempre o mesmo número. "Conheces a Marta..." e a sonsa... a Sónia, peço desculpa, "Não."

E isto podia passar-se em dois dias seguidos, ela fazia questão em mostrar. Não era distracção, não era não me reconhecer, era uma doença mental qualquer ou pura má criação. A coisa resolveu-se porque comecei eu a fazer que nem a via ali à minha frente.  

Eu sei que há pessoas que marcam logo, ninguém as esquece. Sei que não sou assim, mas também sei que não sou o Mr Celofane. Isto seria talvez o mesmo que o que acontecia no elevador onde tantas vezes um bom dia caía no vazio, já todos passámos por essa experiência. 

Seja como for, ainda ontem falava com o J, que tem sete anos, sobre "Olá, diz-se sempre, não é? Podemos até nem falar muito com toda a gente que está, mas olá dizemos sempre" e ele, sábio, concordou. Fiquei mais descansada por não ser um conceito em desuso. 

 

Numa outra nota: hoje vi a Soninha e os seus pés 45 fora das sandálias. XOxOXO 

Pela manhã, no metro. Mais uma voltinha...

Pi, 26.02.14

Ainda não eram oito da manhã, palavrinhadonra. Ainda oito não eram e já numa das portas do metro havia cegada. O que até não é costume, àquela hora vimos todos tão zombies que ninguém tem paciência para reclamar quanto mais se pegar. Há os mesmos comportamentos que a outras horas, mas não há pachorra para barafustar. 

Eu não os vi, só os ouvi. O metro não ía assim tão cheio mas havia pessoas entre mim e eles. Também não fiz o esforço de espreitar. Lá está, muito sono pouca acção à hora a que estavamos. Sei que era entre um rapaz e uma mulher-que-me-soava-brega.

A discussão estalou com um "não me empurre!" e um "mas eu empurrei alguma coisa?" e continuou no mesmo registo. Acho mesmo que repetiram as frases só variando o tom, cada vez mais irritado. A seguir, o silêncio, voltou a paz do-antes-das-oito.

Duas estações depois volta a ouvir-se um bufar e novo refilar, ainda pelo tal empurrão. Agora em crescendo. Ela quis reavivar a chama e aumentava o tom, foi do "não é tá bem, é mesmo assim" ao "um murro nas ventas que vais ver". E o rapaz defendia-se atacando "cala-te, deixa-me. Acordasses mais cedo já não corrias para apanhar o metro" (ahahaha adorei esta, assumo já aqui). Mais uma vez a paz perturbada, agora com as pessoas a ver se não dava mesmo pancada.

Felizmente ele saía (ou passou a sair) nessa estação e ficaram a trocar insultos da gare para a carruagem e vice-versa. Ela, ainda mais cheia de basófia gritava-lhe agora: "olha, adeus. Vai lá vai. Adeus." ele devia estar azul, chamava-lhe nomes e mandava-a calar-se. Confesso, eu própria a quis mandar calar. Graças a Deus não teve público que lhe desse atenção o resto do caminho. 

Gostava de destacar o insulto dela para ele, porque foi o único não ordinário e muito infantil: "cala-te... ó porcaria"