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Da vida de Pi

Da vida de Pi... nilla. Uma espécie de director's cut, vá. Vivo de ler e escrever. De ler escritas, de escrever leituras, de debater termos e criar frases. Aqui escrevo da vidinha. Vidinha de Pi, é isso.

Da vida de Pi

Da vida de Pi... nilla. Uma espécie de director's cut, vá. Vivo de ler e escrever. De ler escritas, de escrever leituras, de debater termos e criar frases. Aqui escrevo da vidinha. Vidinha de Pi, é isso.

Por falar em Azzurra... #diga33

Pi, 14.04.20

Há duas semanas aceitei o desafio #diga33 do podcast Matraquilhos, um podcasto do Hemisfério Desportivo. 

Dizem que tenho boa memória, e guardo de facto muita informação  - quase nunca útil, mas de vez em quando lá sai em alturas adequadas. O segredo é que é quase sempre só para o que me interessa.

Neste caso fiquei um bocadinho apreensiva, seria eu capaz de relembrar 3 onzes de sabia lá quando? Nos episódios que tinha ouvido, o 33 não era garantido, o que me deixou um bocadinho mais à vontade, mas mesmo assim... fui reduzindo as minhas opções "ok, se for o Parma de 98 ou 99, por ali... ou se for o Barcelona de 92, a Sampdoria de 91... e se não for nada disto?! Vá, respira, se for um Sporting talvez me vá lembrando de todos (sem garantias nenhumas)... se forem os campeões do mundo de Riade, ok, talvez diga uns 8... se forem os de Lisboa, até sei os números, mas quererei que saibam isso? Se for a Roma de 2001, talvez chegue a 5 ou 6... Ou Portugal de 96, acho que me sairia bem. E ficavam por aqui as equipas com que me sentiria encorajada a participar - mas podiam muito bem ser estas as que me saíriam. Na verdade, não sabia o que me calharia e olhando agora, foi bastante óbvio e muito simpático. 

Calhou-me então relembrar - reviver até - três selecções de Itália de anos diferentes. Foi giro, viajei no tempo, vi-me com 17, 23 e 29 anos outra vez a olhar para aquelas maglie azzurre todas com que já vibrei e sofri um bocado. Gostei muito!

Aqui está o episódio em que participei, espero que se divirtam. Para mim foi muito giro revisitar os nomes (e os momentos) de que me fui lembrando. 

Ao fim do dia não posso, tenho Cannavaro

Pi, 06.04.20

Fabio Cannavaro foi o capitão da squadra azzurra, campeã do mundo em 2006. 

Essa equipa tem uma óptima gestão de relações públicas, digamos assim. Desde o grupo de whatsapp com todos, ao livro "La Nostra Bambina" onde cada um conta um episódio que lhe ocorra, não necessariamente sobre si, são 14 anos que não deixam quem os segue, cair no esquecimento. Sigo várias contas não só dos jogadores, como de fãs da Azzurra no instagram e sou constantemente brindada com memórias e celebrações daqueles dias de 2006.

Por estes dias, Itália vive o pesadelo que se sabe e chovem-me no feed fotografias do mundial na Alemanha como forma de manter o espírito de campeões, animar as hostes, recordar aquela alegria. A juntar a isso, e para angariar fundos, os jogadores dessa equipa estão muito activos por lá. Cannavaro contacta diariamente um deles - apesar de também ligar a outros jogadores - e conversam um pouco. Falam sobre aquele tempo, sobre o que fazem agora, como estão as coisas no local onde vivem (os irmãos Cannavaro estão ambos na China, por exemplo). Tem sido um quentinho cá dentro. Se falo italiano? Não falo, mas percebo grande parte do que dizem. Mesmo que não percebesse, ouvir os Ciao, os bene, já seria música para os meus ouvidos. 

Esta fotografia é das minha preferidas de 2006. Pirlo abraça Cannavaro antes de Grosso partir para a bola, no penalty que lhe daria o título, e hoje sei que lhe pergunta "se ele marca, ganhamos o mundial? Mas tens a certeza?". No directo com Pirlo, a semana passada, falaram ambos na foto. Segundo Cannavaro "a nossa foto é digna de poster". Confirmo, até de edredon. 

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Por estes dias está prometido que liga a Totti e Gigi Buffon. Mal posso esperar. 

É também por momentos destes que insisto: não são as redes sociais que são nocivas, as redes são o que fizermos delas.

Então, não, ao fim da tarde não posso, tenho Cannavaro para ouvir. 

Vent'anni di Azzurro

Pi, 29.10.17

Isto é só uma dobradela de cantinho, que a data merece. 

Se há vinte anos houvesse twitter, eu faria hoje um tweet assim: “Lucaaaaa, nãããoooo! Humpf, cala-te Gianluigi Buffon”. O Luca seria o Pagliuca, e em 97 eu estava habituada a ele. Como estivera a Zenga, como não estive muito a Peruzzi ou Toldo, ou vá, menos tempo. Mas não me lembro de mais nenhum por tanto tempo. 

Buffon impôs-se-me. Se há vinte anos o via como o rookie - com o ligeiro desprezo que isso me merecia -, hoje dói pensar que está prestes a despedir-se. Porque não vi tantas vezes outro guarda-redes com a Itália. Porque não me lembro de Zoff, e só com Buffon celebrei um mundial. Porque não me lembro de outro que gritasse o hino de olhos fechados, ou falasse da Azzurra sempre com a mesma emoção e entrega. Que tenha metido um pé numa porta de vidro durante o Mundial, por ter perdido no ping pong. Que dissesse que foi estes vinte anos foram o melhor presente que alguma vez recebeu.

Tem um defeitozinho (a meu ver), que não condiz com o resto: virar-se de costas quando a sua equipa marca penalties. É discutível, concedo, mas não adoro. Por outro lado, tem um potencial latino e dramático enorme, e por aí talvez me convencesse. Mas não adoro não (adorando-o, sempre). 

Que está menos rápido, que está mais pesado e velho. Seja, já ninguém lhe (e me) tira ter sido o maior nestes últimos anos.  E sim, assumidamente dos mais giros e com maior pinta. 

 

 

173 jogos

68 clean sheets

1 Mundial

Buffon faz hoje vinte anos de selecção. E cá estamos. Contando com muita força, e alguma violência, ir à Rússia. 

“20 anni d’azzurro il regalo più bello della mia vita”

Gianluigi Buffon

 

Totti, o rei (que dor) e o momento em que me (lhe) rendi

Pi, 29.05.17

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É possível que tenham passado vinte anos. Eu achava que nunca me iria habituar a outro príncipe que não Giannini, que ideia era agora esta, um miúdo da minha idade para lhe suceder?! Não, estavam muito enganados, podia lá ser. E estavam, de certa maneira, porque Totti não foi príncipe, foi e é rei.

Totti nunca foi discreto ou humilde na sua ascensão como rei de Roma, e isso desarmou-me. Possante, arrojado, sem pedir licença. Um latino à antiga, era irresístivel.
O momento em que me rendi definitivamente nem aconteceu na Roma, mas na meia final de 2000, num 3-1 em penalites à Holanda (há sempre drama, é maravilhoso e devastador ao mesmo tempo). Era tempo de kappa, Zoff no banco, e Toldo na baliza. Tenho na memória Frank de Boer e Stam a falhar. Maldini também, mas já não fez mal. Estávamos em Junho, e eu tinha frequência de História Medieval Geral. Deixei-me ficar num café perto da faculdade a ver os penalties. Não corria mal à Itália, quando veio Totti e, com aquele Panenka (hoje sei que avisou Maldini e Di Biagio, "Mo je faccio er cucchiaio", que gelaram ao ouvi-lo), me fez estremecer, e ao mesmo tempo rir nervosa (depois de dar golo). Na celebração, punho fechado no ar, mesmo à Totti - na altura ainda não era er pupone, de dedo na boca -, e já eu estava rendida a tanta confiança.
 
Passam vinte, vinte e cinco anos assim num instante, cada imagem que vejo me parece ser de ontem - Totti nos comandos da camara não é de ontem? Totti a cantar o Azzurro não foi há dois dias? Todas as fotos que guardei em julho de 2006, a camisa azul escuro e a bandeira na cabeça, os beijos na copa, não são tão recentes? O tempo passou, de facto, mas Totti é para sempre. 
 
Ontem estive a ver a sua despedida. Falou como um homem - parte-se-me o coração ao ouvi-lo dizer que tem de crescer, que vai estar a última vez no balneário onde entrou há 25 anos, e que agora é ele quem tem medo - como um capitão. Vi e revi discurso, fotos, abraços e despedidas. Totti e De Rossi, Totti e Florenzi. Italiani Veri. Guardei tudo o que pude, não sei se o meu arquivo não vai rebentar de vez.
 
Uma lagriminha, pois, como não? Sinto-me no direito de chorar Totti. Mesmo que seja para sempre o rei.