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Da vida de Pi

Da vida de Pi... nilla. Uma espécie de director's cut, vá. Vivo de ler e escrever. De ler escritas, de escrever leituras, de debater termos e criar frases. Aqui escrevo da vidinha. Vidinha de Pi, é isso.

Da vida de Pi

Da vida de Pi... nilla. Uma espécie de director's cut, vá. Vivo de ler e escrever. De ler escritas, de escrever leituras, de debater termos e criar frases. Aqui escrevo da vidinha. Vidinha de Pi, é isso.

Um domingo de velhos na praia

Pi, 07.09.20

"Este lado é só velhos!"

Assim, como uma pedra numa janela, em plena praia. A Cristiana e os amigos. Aquilo foi peremptorio, toda a gente percebeu que tinham ido dar um passeio e ela quis deixar claro, não tivessem ideias de ali assentar arraiais. Ali é só velhos e pronto. 

Eu sei que o lado da praia onde fico tem muito poucas pessoas da idade da Cristiana. Não, não sei o nome dela, como ela não sabia a minha idade, ou de quem mais lá estivesse. Dá-me jeito dar-lhe um nome para fazer um post, é isso. 

Eu sei que naquela idade - não mais de 16 - dos 30 aos 100 é irrelevante, é tudo velho, todos lhes parecemos igualmente idosos e desinteressantos, pouco cool, e mais, pouco lhes interessam pessoas acima dos 20, quanto mais 30. Não me pesa a minha idade, não gostei do tom como não gosto de qualquer tom malcriadinho, mas enfim. Achei inconveniente dizer aquela sua certeza tão alto, mais pela falta de educação, mas até sei de onde veio. Não me lembro de tratar tudo a "velho", mas houve uma idade em que todas as idades me pareciam só muito longe. 

No fundo até gostei de saber daquele desabafo: naquele lado da praia, não teremos de aturar a Cristiana e os amigos barulhentos, a não ser em passeios que decidam dar por ali. Seremos velhos e em sossego, como se quer.  Foi óptimo para toda a gente. 

À espera do barco

Pi, 17.09.16

Que me levaria da praia da Fábrica à outra margem, chamou-me a atenção a conversa de dois crianços, que não teriam mais de sete anos. E porquê?

A primeira coisa que apanhei foi: "então, mas não viste como estava o meu filho? Todo cheio de sangue assim, na barriga. Qual era a tua filha?"

Não ouvi toda a resposta, mas pelo meio havia armas, muita carnificina e "estava lá um rottweiler assim... A acasalar".

Estava a tentar situar-me, e prestes a dar um grito, quando o volto a ouvir: "espera, mas que GTAs é que jogas?"

(ainda assim, acho-os novinhos para isso, mas que sei eu?) 

Do falar como deve ser aos miúdos

Pi, 01.12.13

Vem isto a propósito de duas coisas. Uma é que sempre que há o peditório para o Banco Alimentar vejo pessoas darem respostas aos voluntários - muitas vezes menores - que não lembram ao diabo. Já ouvi desde "vai pedir ao Primeiro ministo" a "eu não sei o que fazem aos alimentos" e eles hão-de ter muitas mais pérolas a contar. Tudo muito certo, cada um tem direito a não contribuir, como a ter a sua própria opinião sobre a iniciativa, não discuto isso. Mas há necessidade de falar assim aos miúdos? Fico doente com estas coisas.

À outra assisti há uns dias num hipermercado. Estava-se numa fila para as caixas de self service, nas quais só devem estar cestos. Um pai, talvez distraído, estava na fila com o filho e tinham um carrinho. Não estava cheio nem nada que se parecesse, mas era um carrinho. A fila nem se indignou por aí além, reparou e tal mas ninguém disse nada. O pai lembrou-se que precisava de mais não sei o quê e "fica aqui, o pai vem já". O miúdo teria uns 8, 9 anos se tanto, e ficou. Pois nesse momento lá vem uma esperta de uma funcionária e atira sem olhar sequer direito para a criança "esta fila é para cestos, não podem estar aqui carros". Imbecilóide. O miúdo ficou alifto, óbvio, sem saber onde ir com o monstro do carro e sem saber do pai. Por acaso o pai não demorou e também resolveu facilmente e sem dramas: passou tudo para um cesto e mantiveram-se no mesmo lugar. Mas é esta falta de tacto como a desta fulana, esta coisa de ser miúdo ou não é tudo igual, o mexer-se para repreender a criança e não esperar que chegue um adulto, que me enerva. Nem me passa pela cabeça que tenha esperado que o pai não estivesse, é claramente a fomra como trata todos: novos, velhos, clientes ou colegas. Vai tudo a eito que ela não está cá para perder tempo com o respeito aos outros. Assim como sei que há crianças impertinentes e malcriadas. Mas não era o caso. Alias, ninguém teve tempo para ver que tipo de criança era, ela chegou, rosnou e passou.

Eu sei que têm formações etc, no módulo comportamental era de incluir ou insistir em que crianças e idosos não devem ter o mesmo nível de exigência e intolerância - que é do que se trata aqui, não é mais que isso - que o resto da população. Anda tudo de paviu curto, mas isto é ser estupido, nada mais. Porque provavelmente trata os idosos como palermas e a paciência é a mesma. Enfim, devo ser eu que ando sensível.