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Da vida de Pi

Da vida de Pi... nilla. Uma espécie de director's cut, vá. Vivo de ler e escrever. De ler escritas, de escrever leituras, de debater termos e criar frases. Aqui escrevo da vidinha. Vidinha de Pi, é isso.

Da vida de Pi

Da vida de Pi... nilla. Uma espécie de director's cut, vá. Vivo de ler e escrever. De ler escritas, de escrever leituras, de debater termos e criar frases. Aqui escrevo da vidinha. Vidinha de Pi, é isso.

Bernardo (bullied)

Pi, 24.05.13

O Bernardo não me é nada. Nada que o sangue defina, porque na verdade o Bernardo é-me muito. O Bernardo e o irmão são os meus meninos, my boys, os mais de todos e tudo. São os que acompanho há mais tempo e desde que nasceram, tive cada um ao colo com dias e de lá para cá somos os três amigos. 

O azar do Martim foi eu assistir ao seu número unido-a-um-irritamos-o-outro aplicado a Bernardo e irmão. Irmãos tanto brincam como se pegam, já sabemos, e o Bernardo e o irmão não são diferentes. O Martim é aquele terceiro elemento que adora ver os outros em guerra. Fez isso aos irmãos, à minha frente, juntava-se a um para irritarem o outro, e eu a vê-los naquela dança. Diplomaticamente lá repus ordem na coisa e fiquei atenta, tirei-lhe a pinta. Mas tudo isto é relativamente normal entre miúdos. Pior é a espiral em que isto entrou e o patrocínio dos pais, lá está, sempre presente. O Martim nunca se porta mal, é o máximo. É-lhe dada confiança como se tivesse quinze ou dezasseis anos e espera-se que ele perceba isso. Ora, o Martim tem 8... a culpa não é decididamente só dele. Mas adiante.

O Bernardo - e eu sou muuuuuito suspeita, assumo tudo - é um miúdo esperto, vivaço, inteligente e engraçado. São ingénuos com os seus 8 e 6 anos, ele e o irmão. Ficam a olhar para miudos como o Martim, sabichões e gabarolas, entre o maravilhados e o confusos. Depois tentam naturalmente seguir-lhes os passos, fazer como ele faz. Mas isso era antes, espero que este tempo tenha ficado para trás. 

Então o estaferminho do Martim, não vim eu agora a saber, andava com outro a atormentar o meu Bernardinho. Estapores.

Custa horrores saber isto, saber que ele andava com medo mas calava e aguentava as chapadinhas, o gozo. Saber que inclusivamente teve um grito de socorro na escola mas não foi propriamente atendido (sem comentários, esta parte). Felizmente está identificado e espera-se que a coisa pare. 

Os pais do Martim se souberem, tenho zero dúvidas, encontrarão uma justificação para comportamento do seu herói. 

Nunca um Martim chegará aos calcanhares do meu Bernardo, e ele até é mais pequeno. Mas jamais.

 

E se isto se tivesse passado com o irmão do Bernardo, já o Martim tinha levado duas dentadas e um empurrão para ver se acalmava.  Pena não ter sido com ele. 

Martim (o pequeno bully)

Pi, 24.05.13

O Martim não me é nada. Nada, vi-o umas duas ou três vezes a brincar com filhos de amigos. Mas deu para ver uma ou outra coisa de que gostei muito pouco. 

Cara de anjo, enormes olhos azuis, cabelo em caracois grandes e lindos. O Martim tem cara de boneco e comportamento de demóniozinho. Uma peste, e eu não me importo com pestes. Pior são as pestinhas camufladas, os sonsos. E o Martim é desses. Junta-se a um para irritar um terceiro e ri quando isso acontece. Se um adulto chega, fica com cara de santo. Um sonsinho portanto, nada mais. 

A culpa não é do Martim. Embora já tenha idade (8 anos) para se saber comportar, e até estivesse a tempo de ser corrigido nas palermices que faz aos outros, mas o patrocínio dos pais não vai nesse sentido. Vejamos. 

O Martim é o ídolo do pai e da mãe. Não falo de admirarem o miúdo, adorarem o rebento. Tudo isso é normalíssimo. O problema está quando os pais veneram e alteram a própria vida por causa do Martim (e não, o Martim não é filho único há uns 2 anos). O Martim manda, lá em casa... e na dos outros se o deixarem, manda nos jantares dos pais e amigos dos pais, nos almoços da escola (não nos da escola, mas se não lhe apetece o que há alguém o acudirá), nas saídas, nas viagens, nas férias, nas festas. O Martim está um fedelho mimado e os pais aplaudem e encobrem. Nem vêem, se é que isso é possível. Piora quando o Martim é tratado como crescido durante o dia (para os amigos da escola o Martim é o que "já" faz tudo, é o pioneiro nas coisas de crescido) e bebé à noite (e sobre isto não comentarei mais que isso não me diz respeito, mas fica o vinco feito). 

Na turma o Martim é o líder. Um péssimo líder, mas é-o. Há coisas normalíssimas entre miúdos, mas tudo junto, o Martim e os pais precisam de acordar para a vidinha e o resto é conversa. Há tristezas dos miúdos, desavenças entre todos, mas o Martim sai sempre ileso. E não quero com isto dizer que desejo mal ao crianço, mas gostava muito que um dia, um só dia ele sentisse o que faz aos outros. 


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