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Da vida de Pi

Da vida de Pi... nilla. Vivo de ler e escrever. De ler escritas, de escrever leituras, de debater termos e criar frases. Aqui escrevo da vidinha. Vidinha de Pi, é isso.

Da vida de Pi

Da vida de Pi... nilla. Vivo de ler e escrever. De ler escritas, de escrever leituras, de debater termos e criar frases. Aqui escrevo da vidinha. Vidinha de Pi, é isso.

Coisas que só na rua

Pi, 10.04.20

Eu tomo café em casa, juro que sim e me sabe muito bem. Mas um dia destes veio-me à cabeça a bica ao balcão. Não sofro com não o poder fazer agora, não chega a tanto, mas foi uma saudade verdadeira que senti. 

O café na rua é um ritual que deixa alguma marca. Isso e o peixe frito, também me tem apetecido e não o farei em casa só por ter saudades. Prometo! 

Ano Nogueira, corpo um pouco menos dormente

Pi, 08.04.20

Aconteça o que acontecer, Bruno Nogueira já marcou o (meu) ano de 2020. 

Começou no dia 14 de Fevereiro, quando 13 mil de nós escolhemos passar o serão de São Valentim com ele na Altice Arena. Rimos, comovemo-nos, acompanhamo-lo há alguns anos já e vimo-lo chegar até ali. Foi bestial a festa, pá. 

Sem contar com isso, dei por mim em março a adormecer com os directos que faz no instagram, e à semana já não passo sem isso. Não é tanto pelos temas, que tanto começam em nada e passam às cenas dos próximos capítulo - o que é maravilhoso, ver o Mário Laginha aparecer e saber que foi porque no programa de rádio do Polo Norte de que o Markl falou, por sugestão do Nuno Lopes, se pediu que passasse uma música do Laginha e assim foi, como surgem e passam no momento. Ou o Nelson Évora, que foi nomeado um dia e apareceu no seguinte, com um óptimo espírito.

É espectacular ver como um desabafo para falar com adultos se foi desenvolvendo e é um talk show autêntico, com verdadeiras rubricas e mesmo tramas. Bruno Nogueira já tem falado para 50 mil pessoas - 50 - e apesar de ele não nos ouvir, estou certa de que o aplaudimos de pé diariamente. 

O mais giro - além de termos ali o Bruno e amigos para nós e connosco - é a comunidade que se vai formando porque estamos todos na mesma situação. Não é uma moda, não é um hype de que alguns de nós se lembraram agora, ficar em casa porque sim. Estamos todos no mesmo barco, não saímos ao serão, não há concertos, stand up ou futebol, estamos ali. Em casa e ali. Será uma memória colectiva única daqui a muito tempo. No ano da pandemia, vivemos aqueles momentos à distância. 

Não importa entrar aqui muito em detalhes ou descrever tudo o que se vai desenrolando ao longo dos serões de "Como é que o bicho mexe", queria só dobrar o cantinho destes tempos em que espero o copo de vinho aparecer, o genérico do Dillaz, desligo tudo o resto e me aninho só com a luz do ecrã. 

Não sei até quando durará, mas já valeu pelas vezes que aconteceu. 

Muitos posts começarão assim nesta altura

Pi, 05.04.20

Estou em casa desde dia 13 de Março à hora de almoço, em teletrabalho. Passaram três semanas e eu podia jurar que eram duas, pelo que não posso dizer que me esteja ser muito difícil.

O que sinto nesta altura é que os dias de trabalho ajudam as horas a passar, mas também chego a sexta - quando não trabalho ao fim de semana - a precisar de um fim de semana. Sem sair de casa, é certo, mas não deixam de ser dois dias para descansar, fazer coisas diferentes ou mesmo só ver as tais horas a passar. Nem que seja para dar valor aos dias de semana, que por sua vez, me fazem ansiar pelos outros dois, de fim de semana. Tudo normal, portanto. 

Mantenho a rotina o mais regular possível, refeições nos horários habituais, pausas e algum exercício. TV, streaming, redes sociais, livros, música compõem o resto dos dias. 

Vamos manter-nos como estamos. Por nós, mas sobretudo pelos que não podem mesmo ficar em casa. Se formos menos a circular, melhor.