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Da vida de Pi

Da vida de Pi... nilla. Uma espécie de director's cut, vá. Vivo de ler e escrever. De ler escritas, de escrever leituras, de debater termos e criar frases. Aqui escrevo da vidinha. Vidinha de Pi, é isso.

Da vida de Pi

Da vida de Pi... nilla. Uma espécie de director's cut, vá. Vivo de ler e escrever. De ler escritas, de escrever leituras, de debater termos e criar frases. Aqui escrevo da vidinha. Vidinha de Pi, é isso.

Sabemos rir de nós? Experiência 1, 2, 3...

Pi, 18.04.13

Rita, Mónica e Bárbara estão numa esplanada.

 

Rita - Então vá, meninas. Que é que querem, para pedirmos ao senhor?  

Mónica - Eu quero uma italiana. Em chávena fria, por favor. Com adoçante. 

Bárbara - Para mim é um abatanado, em chávena escaldada. Pode ser pingado? Com açúcar. 

Rita - Eu quero um café, obrigada.


Mónica e Bárbara entreolham-se, como se o pedido de Rita fosse estapafúrdio. O empregado retira-se. 


Bárbara - Ah Rita, devias ter ido connosco à reunião do liceu, foi tão giro!  

Rita - Ai, por favor... Eu não vos percebo. Essa ideia peregrina de encontrar pessoas do passado. Mas passado daquele à séria, da Pré-História! Eu gostei muito do liceu, mas para quê mexer no passado? Agora com as redes sociais, tão avançadas, é tudo a correr para trás. Não percebo, pronto. 

Mónica - Ó Rita, foi giro sim. Se tivesses ido tinha tido muito mais para falar, a Bárbara não tem a nossa lata. Já a teve, mas agora tudo lhe parece mal.


Bárbara, nervosa, apressa-se a justificar:


Bárbara - Mónica, eu não me importo de comentar as pessoas, agora dizer à Luisa que mais valia congelar a cara e ir à reunião dos cinquenta anos que já estava bem assim, não digo.


Mónica e Rita riem. Bárbara descontrai e acaba por rir também.

  

Bárbara - Devias ter ido, perguntaram tanto por ti. E é giro saber como estamos, quem casou, quem teve filhos...   

Rita - Ora aí está. Quatro filhos não me deixam muito tempo para isso. E mais?   

Mónica - E quem não teve... 

Bárbara - Pois! Também, também! 


Mónica dirige-se ao balcão, as amigas continuam a conversar.


Rita - Ai Bárbara, tu francamente, que mania. 

Bárbara -  Saiu-me, pronto! A Carolina também não tem filhos. Coitada...  

Rita - Coitada? Mas aconteceu-lhe alguma coisa? Está doente ou assim? 

Bárbara - Não, não. Não teve filhos, é isso. 

Rita - Ah, mas está tudo bem com ela, não está? Não estava num lugar bestial lá na empresa, com uma casa espectacular e uma independência de morrer de inveja? 

Bárbara - Sim, isso sim. 

Rita - E do que me lembro, ela nunca teve grande intenção de ter família. 

Bárbara - Pois, mas eu achava que isso seria uma fase... 

Rita -  Claramente não era, então não será “coitada”... 

Bárbara - Sim, mas não é mãe... 

Rita - Ai Bárbara, tens de perder essa mania de que as pessoas só são alguém depois de parir. 

Bárbara - Mas tu tens quatro filhos, como podes falar assim? 

Rita - Por isso mesmo! Eu antes era alguém. Agora sou a mãe da Joana, do Miguel e do Pedro. Muitas vezes sou a mãe do António. Do António, repara, que nem idade para ser gente tem! No entanto, eu já só sou a mãe dele. 

Bárbara - E então, eu sou a mãe do Rodrigo. 

Rita - Eu sei, eu sei. Só falta trocar o nome nos cartões de visita e e-mail, para deixares de ter personalidade.


continua...