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Da vida de Pi

Da vida de Pi... nilla. Uma espécie de director's cut, vá. Vivo de ler e escrever. De ler escritas, de escrever leituras, de debater termos e criar frases. Aqui escrevo da vidinha. Vidinha de Pi, é isso.

Da vida de Pi

Da vida de Pi... nilla. Uma espécie de director's cut, vá. Vivo de ler e escrever. De ler escritas, de escrever leituras, de debater termos e criar frases. Aqui escrevo da vidinha. Vidinha de Pi, é isso.

Português (não tão) suave I

Pi, 06.10.16

Já todos vimos, ouvimos,  e comentámos o mal que se escreve por aí. As redes sociais trouxeram-nos o contacto com todo o mundo, o que foi bom, a opinião desse mundo todo (nem sempre tão bom), e trouxeram ainda o mau português que se escreve por aí (péssimo). Temos de o olhar de frente, quando o vemos já não o podemos não ver. Se eu trocava as redes sociais por melhor português? Não, tiveram tempo de o aprender, e estão a tempo de o corrigir. Adiante.

Lemos frequentemente quem não percebe como funciona um hífen, mas hoje não é o que me leva a escrever. Não é esse erro, não menos grave, que abre esta série. Para escrever sobre o hífen, sou capaz de ter de beber qualquer coisa para rirmos um bocadinho. 

Há - por Belenos, vejo tantas vezes - quem escreva "saio" julgando, crendo, estar a dizer "saiu". E vice-versa. Juro, palavrinhadonra.

Mas como é que lêem, em "o teu filho saio ao pai", "ele saio agora mesmo", ou "já saio o novo episódio? ", "saiu"?! Ninguém sabe.

Saio é saio, o "a" aberto, o "i" discreto, e o "o" desmaiado. "Saiu" é foneticamente o oposto, o "a" sumido, um "i" imponente, e um "u" a dizer "eu estou aqui!".

Saio é presente saiu é passado. Saio é primeira pessoa do singular, saiu é terceira do singular.

Onde, onde conseguem ler "saiu" em "saio"? Quem sabe ler e escrever, tropeça ali. Por exemplo,  num elogio a um bebé: "saio mesmo à mãe!". Afinal quem é que sai à mãe do bebé? O próprio, o adulto que está a comentar? Ou está a anunciar,  num post ao calhas, que sai à mãe? Decidiu naquele momento, no nascimento de outro ser, gritar ao mundo o quão semelhante é à sua progenitora. Não, não foi isso, tenho quase - quase - a certeza. 

O mesmo se passa ao contrário: "hoje saiu às três", e fica-se ali a pensar "ah sim? Que bom. Mas quem...?", e é o próprio, claro, onde é que eu tinha a cabeça? Ou "Quando saiu à noite..." e uma pessoa fica: "quem e quando...?", a achar "lá me perdi na conversa outra vez, já não sei de quem falamos", e não é foi, ainda é, é presente. Não é fácil. 

Saio é saio. Saiu é saiu. Não consigo ler da mesma forma. E o erro não é meu, asseguro.