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Da vida de Pi

Da vida de Pi... nilla. Uma espécie de director's cut, vá. Vivo de ler e escrever. De ler escritas, de escrever leituras, de debater termos e criar frases. Aqui escrevo da vidinha. Vidinha de Pi, é isso.

Da vida de Pi... nilla. Uma espécie de director's cut, vá. Vivo de ler e escrever. De ler escritas, de escrever leituras, de debater termos e criar frases. Aqui escrevo da vidinha. Vidinha de Pi, é isso.

Da vida de Pi

20
Ago19

Visto sete dias depois - este post fala em úteros, fibromiomas e médicas parvas

Pi
Eu sabia que tinha um mioma (um fibromioma, alias) no útero. Que já tinha umas dimensões consideráveis e mal não me faria, foi o que me foi dito primeiro. E na verdade, os miomas não matam, são tumores benignos, embora também não façam bem. Mas ele cresceu e cresceria se não fosse removido. Ninguém quer nada a crescer no útero, que não seja um bebé. Ou dois. 

Não o sentia, não me dava mau estar, tirando algumas perdas de sangue abundantes e cada vez maiores. De resto, vivia sem me lembrar dele. 

Foi quando quis saber o que podia fazer para melhorar um pouco estes sintomas, que me deparei com uma média que ficou impressionadíssima, diria até enojada, com o que se passava com o meu aparelho reprodutor. 

‘Mais vale tirar o útero, não está aí a fazer nada.’

’Não vejo que possa fazer’

‘O útero serve para ter os bebés, assim não sei…'

’Sinceramente não estou a ver solução’

Tudo isto em dez minutos de consulta, se tanto. Senti-me sacudida do consulltório, e percebi que como em tantas actividades também há médicos idiotas. Mas isto ainda bastante a medo com que raio afinal estava a desenvolver-se para aqui. A parte boa é que foi esta conversa que me fez procurar outra opinião e ajuda de quem sabe. 

Umas consultas e ecografias depois, fui operada há uma semana e correu tudo bem. Tenho útero, não tenho fibromioma, dores quase não senti e a recuperação está a ser boa.  Os médicos que encontrei depois daquela outra imbecil, foram todos sempre assertivos, não é preciso tratar-nos nas palmilhas, falaram-me de riscos e soluções, não me esconderam o que poderia acontecer (era ter de tirar o útero no caso de alguma coisa correr mal durante a cirurgia), mas também me mantiveram a esperança, acima de tudo nunca falaram comigo como se eu tivesse uma lesma gosmenta dentro de mim e isso lhes fizesse muita confusão. 

Vale mesmo a pena falar com quem sabe e lida diariamente com o que temos.

 

A ver se falo também sobre a experiência de internamento. 

 

PS - não sou dessas guerras, mas fica aqui: a consulta irreal foi no privado, tudo o resto no público. 

 

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